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The Daily Habit

Diário de produtividade pessoal

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A Grande Estratégia de John Lewis Gaddis, Resumo do Livro - As Minhas Notas

 

A Grande Estratégia de John Lewis Gaddis

A Grande Estratégia de John Lewis Gaddis é um livro especial, de base académica, pelas origens do autor como professor na Universidade de Yale nos Estados Unidos, que venceu um prémio Pulitzer e é um dos historiadores mais reputados da atualidade.

Esta obra aborda a temática da grande estratégia recorrendo a textos clássicos e a estudos de caso históricos. Este resumo pretende transmitir as minhas notas com as citações que considero ter uma maior componente prática aos líderes atuais.

Os seres humanos, em termos da estratégia que empregam, são divididos por dois tipos, os porcos-espinhos e as raposas (Isaiah Berlin) (pág. 18):

“Os porcos-espinhos, explicava Berlim, relacionam tudo com uma única visão central através da qual tudo o que dizem fazem ganha significado. As raposas, pelo contrário, prosseguem muitos fins, muitas vezes não relacionados entre ti e até contraditórios, ligadas apenas, se de todo ligados, de algum modo de facto.”

Ligação entre a formulação de uma teoria e o passado (pág. 24):

“A prova de uma boa teoria reside na sua capacidade para explicar o passado, pois só se o fizer podemos confiar no que pode dizer-nos sobre o futuro.”

Reconhecer a relação entre os fins e os meios (pág. 26):

“Visto que só existem na imaginação, os fins podem ser infinitos: um trono na lua, talvez, com uma grande vista. Os meios, porém, são teimosamente finitos são botas no terreno, navios no mar e os corpos necessários para o encher. Fins e meios tem de ter relação para alguma coisa acontecer. Nunca são, contudo, intercambiáveis.”

Porcos-espinhos e raposas não precisam de ser mutuamente exclusivos (págs. 29 e 34):

“Berlin admitiu, pouco antes da sua morte, que (…) algumas pessoas não são raposas nem porcos-espinhos, algumas pessoas são ambas as coisas. Tinha estado apenas a jogar um jogo intelectual. Outros tomaram-no demasiadamente a sério. A explicação faz sentido dentro do quadro mais amplo do pensamento de Berlin, pois que escolhas teríamos se estivéssemos presos dentro de categorias, imitando animais, que tornassem a previsibilidade obrigatória? (…) Precisaríamos de combinar numa só cabeça (a nossa), o sentido de orientação do porco-espinho e a suscetibilidade da raposa ao meio ambiente. Conservando ao mesmo tempo a capacidade de funcionar.”

“Talvez devamos a nossa existência, portanto, à destreza com o qual mudamos entre pensamento rápido e pensamento lento - entre o comportamento de raposas e de porcos-espinhos.”

Sobre o senso-comum (pág. 35):

“O senso comum (…) é como oxigénio: quanto mais alto se sobe mais escasso se torna. “Com grande poder vem grande responsabilidade”, lembrava ao homem-aranha, memoravelmente, o seu tio Ben - mas também o risco de fazer coisas estúpidas.”

Definição de grande estratégia e sobre o êxito (págs. 35 e 36):

“Definirei esta expressão (grande estratégia), para efeitos deste livro, como o alinhamento de aspirações potencialmente ilimitadas com capacidades necessariamente limitadas.”

“Especificar o êxito nunca foi fácil, mas a natureza infinita dos meios ajudou a fazê-lo. Pois embora a satisfação seja, em última análise, um estado de espírito, atingi-la requerer despesas verdadeiras.”

Sun Tzu e A Arte da Guerra (págs. 79 e 80):

“Sun Tzu (…) apresenta princípios, escolhidos pela sua validez ao longo do tempo e do espaço, e depois relaciona-os com práticas, limitadas no tempo e no espaço. A Arte da Guerra, por conseguinte, não é história nem biografia. É uma compilação de preceitos, de procedimentos - e afirmações categóricas: general que dá ouvidos a minha estratégia, é certa a sua vitória. Conservai-o! Quando for um que se recusa a dar ouvidos a minha estratégia, a sua derrota e certa. Demitiu -o!”

“Ninguém pode prever tudo o que pode acontecer. Ter uma ideia das possibilidades, no entanto, é melhor do que não ter qualquer noção do que esperar. Sun Tzu procura sentido - mesmo sentido comum - amarrando os princípios, que são poucos, às práticas, que são muitas. A liderança em a Arte da Guerra é, então, ver simplicidades na complexidade.”

A ironia sobre a natureza do comportamento humano segundo Santo Agostinho (pág. 112):

“Agostinho dizia se os bebés são inocentes não é por falta de vontade de fazer mal mas por falta de força.”

Importância das listas (pág. 118):

 “Agostinho formulou os seus critérios sob a forma de uma lista, não de mandamentos. Isso foi porque as listas se adaptam melhor a mudança do que os mandamentos. Os marinheiros recorrem a elas antes de se fazerem ao mar. Os soldados empregam-nas para planear missões. Os cirurgiões exigem-nas para segurarem de que terão os instrumentos de que precisam e não deixaram nenhum para trás. Os pilotos percorrem-nas para garantir descolagens seguras e aterragens suaves - de preferência no aeroporto pretendido. Os pais desdobram-nas para prevenir tudo o que pode correr mal quando se transportam crianças pequenas. As listas fazem perguntas comuns em situações que podem surpreender: a ideia é abordá-las tanto quanto possível a probabilidade de que o façam

As crenças de Santo Agostinho (págs. 120 e 121):

“Agostinho nunca foi o monoteísta de todo o coração. Adorava a razão tanto quanto adorava Deus.”

“Alinhamento, por sua vez, implica interdependência. A justiça é inalcançável na ausência da ordem, a paz pode requerer que se travem guerras.”

Nicolau Maquiavel responde qual o uso da história (pág. 124):

“As competências necessárias são as da imitação, da adaptação e da aproximação. Maquiavel recomenda o estudo da história, pois visto que os homens caminham sempre por sendeiros já batidos por outros e procedem nos seus atos por imitação, um homem prudente deve seguir sempre os caminhos batidos por grandes homens e imitar aqueles que foram os mais excelentes, de modo que se a sua virtude não chega tão longe está pelo menos no seu olor.”

O que distingue Agostinho de Maquiavel (pág. 130):

“Penso que a visão que Agostinho tem da justiça, que tem que ser precedida pela ordem. Só um Estado pode providenciar estabilidade, mas Agostinho só presta contas ao seu Deus. Maquiavel não é nenhum ateu, mas o seu Deus não governa Estados.”

A transgressão de Maquiavel (pág. 133):

“A grande transgressão de Maquiavel, conclui Berlim, foi confirmar o que toda a gente sabe mas ninguém quer admitir: que os ideais não podem ser alcançados. a política, por conseguinte, nunca pode equilibrar o realismo com o idealismo: só há realismos concorrentes. Não há competição na governação entre política e moralidade: só há política.”

Voltando á racionalidade da teoria (págs. 225 e 226):

 “A teoria existe para que uma pessoa não precise de começar do zero de cada vez, selecionando o material e trabalhando nele, mas sim o encontre à mão e em boa ordem. Destina-se a educar o espírito do futuro comandante ou, mais exatamente, guiá-lo na sua autoeducação, não a acompanhá-lo ao campo de batalha; tal como um professor sábio guia e estimula o desenvolvimento de um jovem mas tem o cuidado de não o levar pela mão durante o resto da sua vida.”

Carl von Clausewitz vê a teoria, portanto como treino. é o que endurece o corpo para grandes esforços, fortalece o coração perante os grandes perigos e fortalece o julgamento contra as primeiras impressões.”

Ernst von Pfuel era um daqueles teóricos que amam tanto a sua teoria que se esquecem do propósito da teoria - a sua aplicação na prática; no seu amor pela teoria, odiava tudo o que era prático e não queria saber disso. Até ficava contente com o fracasso, porque o fracasso, procedendo de desvios da teoria na prática só provavam a seu ver a correção da teoria.”

Proporção e contradições (pág, 232):

 “Sobre a guerra e Guerra e Paz balanceiam opostos incessantemente e numa extensão épica. É daí que a proporcionalidade - a simultânea compreensão de contradições - vem.”

Teoria versus prática. Preparação versus improvisação. Planeamento versus fricção. Força versus política. Situações versus esboços. Especialização versus generalização. Ação versus inação. Vitória versus derrota. Amor versus ódio. Vida versus morte. Comandar de dentro das nuvens versus manter o chão à vista.  Mas nenhum versus arte e ciência. Não é exagero dizer, por conseguinte, que Clausewitz e Liev Tolstói juntos são, na amplitude, imaginação e honestidade com que abordaram estas grandes questões os maiores dos estrategas.

Os presidentes norte-americanos (págs. 309 e 326):

Tanto numa coisa como noutra foi um autodidata (Abraham Lincoln). Lia vorazmente, lembrava-se pragmaticamente e aplicava engenhosamente as lições que aprendia.

“Pois mostrava (Franklin D. Roosevelt) que o poder e a ordem não são uma camisa de forças da doutrina, que é possível conciliar a liberdade individual - uma textura larga da sociedade - e um mínimo indispensável de organização e autoridade.”

Intelecto e temperamento no sucesso (pág. 326):

“Qualquer atividade complexa, escreve Clausewitz, se é para ser levada a cabo com o mínimo de grau de virtuosidade requer dotes apropriados de intelecto e de temperamento. Se forem extraordinários e se revelarem me feitos excecionais, quem os possuía é declarado um génio. Pois como nenhuma política pode ser pura também a grande estratégia não pode deixar de ser afetada pelo imprevisto.”

3 Medidas que o Irão Ajudar a Lidar com um Chefe Micro Gestor

Normalmente olhamos para o lado negativo das coisas em primeiro lugar, e ter um chefe micro gestor pode ser de facto um pesadelo.

Ninguém gosta de um chefe micro gestor. Alguém que acompanha o trabalho dos seus subordinados de perto, sendo picuinhas com tudo e com nada, andando constantemente a fazer pedidos e a solicitar alterações.

Existem certas medidas que podemos tomar para lidar com um chefe micro gestor, de modo a diminuir o impacto negativo das suas ações, e evitar afetar a nossa performance e bem estar.

1. Proteja as suas emoções

A primeira medida é cuidar do nosso ego, e não dar a importância ao chefe. A sua atitude provavelmente tem a ver com a insegurança e o perfecionismo, querendo controlar tudo com medo que falhe alguma coisa. Não leve para o campo pessoal, reconhecendo a situação e protegendo as suas emoções.

2. Delegue o trabalho ao seu chefe

A segunda medida é aproveitar o trabalho do seu chefe. Este tipo de pessoas, com medo que sejam cometidos erros ou que não sejam cumpridos prazos, acabam muitas vezes por fazer o trabalho dos seus subordinados. Isto pode ser desencorajador, mas se tiver muito trabalho a fazer e o seu ego controlado, acaba por conseguir delegar parte do seu trabalho ao seu chefe, libertando o seu tempo para outras tarefas.

A delegação é uma das técnicas essenciais para uma maior produtividade pessoal. O que maioria das pessoas desconhece, é que possível aprender a delegar trabalho mesmo que não tenhamos subordinados, incluindo ao chefe.

3. Distancie-se do seu chefe

A terceira medida é criar um distanciamento saudável do seu chefe. Para isso, terá de aprender a fazer alguns "jogos de poder" sem que ninguém se aperceba da sua estratégia, especialmente o seu chefe. Inclui-se aqui não responder imediatamente a todos os emails ou solicitações, falar o mínimo possível e evitar sentar-se numa mesa de trabalho com o seu chefe, especialmente se estiver sozinho. Se o seu chefe o chamar ao gabinete, mantenha-se de pé, e sai logo que possível, mesmo que o convide para sentar.

Ao aplicar estas três medidas, irá estar no bom caminho para lidar com um chefe micro gestor e manter a sua sanidade mental. Se tentar de tudo, e mesmo assim não conseguir controlar o seu chefe, a melhor medida será solicitar para mudar de departamento, ou mesmo de empresa se a primeira opção não for possível.

Observar as Leis do Poder: 1) Misture-se com o Rebanho e 2) Não se Sobreponha ao Chefe

No artigo Como as Formações Profissionais podem ser Inoportunas tinha decidido não ir à formação da minha organização por dois motivos: 1) ter mais do que as horas obrigatórias no ano passado, e 2) porque nesta altura do ano revela-se infrutífero do ponto de vista de produtividade pessoal, roubando tempo as outras atividades mais importantes.

No entanto, e depois de uma melhor reflexão, verifiquei que tratava-se de uma curta palestra de uma hora, sendo importante para a minha organização ao abrigo da implementação de uma norma. Além do mais, todos os colegas participaram no evento, sendo que a minha ausência ia violar a Lei n.º 38 das Leis do Poder de Robert GreeneMisture-se com o rebanho (Exceção à lei: quando já tem poder, mas não abuse do isolamento).

Poderei pensar como bem entender, mas é importante não demonstrar comportamentos desviantes do rebanho se a análise do custo/benefício não o justificar, como era o caso.

Aproveitando a mesma abordagem, implementei outra medida relevante no trabalho, em que o meu superior pretendia colocar na minha equipa um elemento que podia comprometer a segurança do projeto. Inicialmente a minha reação foi de oposição a esta medida, o que acabou por criar alguns ressentimentos da chefia. Violei a Lei n.º 1 das Leis do Poder de Robert Greene – Não se sobreponha ao chefe. (Exceção à lei: quando o chefe é fraco e pode cair a qualquer momento).

Acabei por falar com o elemento da equipa proposto para detalhar o grau de comprometimento com o projeto e definir os serviços essenciais a executar. Foi incluído de seguida no projeto para contentamento do meu chefe, minimizando de certa forma o mau estar anterior. Irei no entanto estar atento à prestação do elemento e comunicar imediatamente caso a sua prestação se desvie dos objetivos delineados.

Maestria de Robert Greene: Resumo do Livro – As Minhas Notas

Maestria de Robet Greene

ATUALIZADO a 09/03/2020: Para uma informação mais completa do trabalho de Robert Greene, consulte o novo blogue 48-leis-do-poder-blogs.sapo.pt, com o resumo alargado do livro com o mesmo nome.

Robert Greene é um autor best-seller, tendo escrito livros sobre poder e estratégia como as “As 48 Leis do Poder”, “As Leis da Natureza Humana", “A Arte da Sedução“ e “33 Estratégias de Guerra”.

A maestria é um caminho simples

Em Maestria, Greene diz que o caminho que conduz à maestria é um processo simples e acessível a todos, mas nem por isso fácil.

O autor dá o exemplo de Charles Darwin como um exemplo comum dos que alcançam a maestria: uma paixão e inclinação para um tema, um encontro ou momento que lhes permita aplicar a sua paixão, e um aprendizado.

Os mestres são movidos por uma paixão, sendo principalmente as qualidades emocionais que levam as pessoas para à frente. Desejo, persistência e confiança desempenham um papel muito maior do que o raciocínio lógico.

1 - Seguir a inclinação natural

Greene diz que qualquer pessoa tem uma força interior como guia para um propósito de vida, e que o primeiro passo para a maestria é conectar com esta inclinação inata.

Contudo, muitas pessoas acabam por nunca descobrir quem são verdadeiramente. Param de confiar em si próprias, e vivem em conformidade com a expectativa dos outros usando uma máscara.

Tente evitar o pensamento dos grandes planos, e foque-se nos seus pontos fortes que já tem dentro de si. Isto dará uma grande confiança e uma base sólida para construir o futuro.

O propósito de vida nem sempre será óbvio. Continue a trabalhar e eventualmente irá encontra-lo.

2 - Passar pelo aprendizado

Após a educação formal, a maioria das pessoas entra num segundo tipo de educação prática conhecida como aprendizado. Isto é válido para cada nova disciplina que aprendemos.

Nesta fase não nos devemos concentrar no dinheiro, aproveitando a mesma para ultrapassar desafios e sair da zona de conforto.

Greene diz que há três passos essenciais para uma aprendizagem bem-sucedida:

Observação profunda: Aprender a dinâmica social e do poder, as regras não escritas. Não tente impressionar as pessoas mostrando que quer chegar ao topo nesta fase, concentre-se na aprendizagem.

Aquisição de competências: Evite andar em modo de multi-tarefa. É preferível estar totalmente presente em 2-3h de foco intenso do que 8h de trabalho distraído.

Experimentação: Colocar em prática os esforços criativos para construir as competências de que necessita pode causar medo. Avance antes de sentir-se que está totalmente pronto, cometa erros, receba feedback e desenvolva novas competências.

Wolfgang Amadeus Mozart e Albert Einstein são dois exemplos muitas vezes conotados como talentos naturais, mas que levaram pelo menos 10 anos antes de sair qualquer trabalho significativo. A única diferença é que eles começaram cedo e com imersão total.

3 – Obter um Mentor

Greene diz que vivemos numa cultura iconoclasta, em que gostamos de atacar e desmantelar todas as formas de autoridade.

Devemos reconhecer que existem pessoas muito mais à frente do que nós, e que as suas posições podem não ser devido a amigos ou sorte, mas sim baseadas em competências e conhecimentos.

Os livros são genéricos e não adaptados a situações particulares, mas também podem servir como mentores. Pode idealizar, por exemplo, uma pessoa que admire e perguntar o que ela faria se estivesse na sua situação.

Um bom mentor vai contribuir para a sua independência e deixá-lo livre assim que estiver pronto para voar, mantendo-se seu amigo.

Por outro lado, um mau mentor vai querer mantê-lo subjugado entendendo os seus movimentos para a independência como uma afronta à sua autoridade. Este último pode mesmo vir a invejar o seu crescimento ou as suas capacidades.

A sua posição de aprendiz não é permanente. O seu objetivo é absorver o máximo possível e depois seguir em frente. Por último deverá superar o seu mentor.

4 – Dominar a inteligência social

Greene afirma que a Inteligência social é a chave para qualquer tipo de maestria porque o sucesso sem este tipo de inteligência não consegue ser duradouro.

A inteligência social é ver as pessoas como eles realmente são, o que as motiva e quais as suas tendências de manipulação. Somos todos diferentes, mas todos temos um lado menos bom e uma tendência para manipular.

A melhor abordagem é a aceitação. É referido um pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenauer em que o nosso objetivo não é julgar ou mudar as pessoas, mas levá-las a ser quem realmente são.

5 – Libertar a energia criativa

Quando se sai da fase do aprendizado a tendência poderá ser relaxar ou procurar a segurança.

Deve resistir a este impulso ampliando o seu conhecimento em diferentes campos, experimentando e desafiando as mesmas regras que aprendeu.

Muitas vezes ouvimos sobre como as crianças são criativas e de mente aberta. Greene diz que as crianças não inventam ou descobrem qualquer coisa que possa mudar as nossas vidas.

Os mestres mantêm o espírito da criança, e adicionam anos de aprendizado, conhecimento e um foco intenso nas suas ideias, aliado a uma mente aberta.

Qualquer trabalho de mestria exige disciplina, estabilidade emocional e auto-controlo, ultrapassando todas as dúvidas e obstáculos.

6 – Fundir o intuitivo com o racional

Greene diz que a maestria não é totalmente racional, mas uma combinação de conhecimentos, competências e intuição.

A intuição precisa de ambos os conhecimentos, competências e experiência que pode levar até 20 anos a atingir.

Nunca deverá existir um ponto em que se auto-intitula como um mestre, porque a maestria é um processo. Nunca termina, enfrentando-se problemas e situações contínuas que nos desafiam, sendo as mesmas uma bênção disfarçada que nos mantêm no caminho para o aperfeiçoamento.

Fonte:

Mastery by Robert Greene - The Power Moves

As Dinâmicas do Poder

Arranha céus iluminados à noite

A ignorância por vezes pode ser uma dádiva, porque se pensarmos na frieza dos jogos de poder que acontecem por detrás da fachada das nossas organizações, podemos deprimir.

Num artigo anterior, As 48 Leis do Poder de Robert Greene: Organização e Categorização, foram apresentadas as leis que governam estas dinâmicas do poder.

Existe no entanto um perigo. Grande parte das leis não podem ser aplicadas cegamente, porque existem exceções, em que por vezes é mais sensato fazer o contrário.

Para uma visão geral de todas as leis e exceções, atualizei o artigo As 48 Leis do Poder de Robert Greene: Organização e Categorização.

Estes movimentos calculistas pelos que procuram o poder, acontece no seio da nossa sociedade em todas as organizações públicas e privadas. A política é o palco mais evidente destas manobras, mas se estivermos bem atentos, verificamos esta dinâmica em todo o lado, mais ou menos discreta.

Funcionamos em sociedade através de grupos, e precisamos todos uns dos outros. Não existe como fugir a estas leis, nem que seja para nos protegermos dos que nos tentam manipular.

Por outro lado. se pretende usar estas leis para subir no poder, é meu desejo que mantenha a sua integridade, utilizado este conhecimento de forma responsável e contribuindo para uma sociedade mais justa e próspera.

Cuidado com o Ego na Subida ao Poder

O poder é constituído por estatuto e dinheiro.

Numa organização, quando se sobe na hierarquia, o profissional é promovido ganhando um novo estatuto acompanhado de um aumento salarial e benefícios.

Num negócio, o sucesso de um empreendedor, é conseguido através da conquista de um maior número de clientes para os seus produtos ou serviços, traduzindo-se em mais lucro e reconhecimento da marca.

Existe no entanto, um inimigo comum, tanto para profissional como o empreendedor: o ego, que segundo o Priberam é defenido como o conceito que o indivíduo tem de si mesmo. Ou seja, nós somos o nosso maior inimigo. O ego consegue prejudicar-nos mais que os nossos inimigos pessoais.

O ego do profissional

Num seio de uma organização, os melhores lugares são sempre muito disputados. Quem já está numa posição de poder, quer continuar a subir na escada corporativa, ou quanto muito, não perder a sua posição. Para isso irá recorrer-se dos mais variados esquemas com os seus subalternos que possam vir a ocupar o seu lugar.

O principal técnica utilizada é minar a confiança dos seus colaboradores, no sentido de os fazer sentir menos importantes. Isto é conseguido muito subtilmente, não reconhecendo as suas conquistas ou o que fazem bem. Quando existem reuniões importantes com alguém da administração ou um cliente importante por exemplo, tentam fazer com que os seus colaboradores nunca assistam a estas reuniões.

Tudo estás técnicas têm o objetivo de baixar o ego dos seus colaboradores, no sentido de os manter menos motivados, e assim não “brilharem” tanto para não terem hipótese alguma de os substituírem.

Mas cabe a cada pessoa proteger o seu ego, e felizmente só depende de nós. Assim, quando o seu chefe lhe lança uma artimanha, reconheça o que lhe está a acontecer, a tendência do seu ego para se sentir ofendida, e tente desligar-se o melhor que conseguir. Não leve as atitudes do seu chefe para o campo pessoal, porque trata-se de um jogo de poder. Se quer ganhar, tem de aprender as regras e jogar melhor que os outros.

O ego do empreendedor

No caso do empreendedor, os chefes são substituídos por clientes e empresas concorrentes. Ter poucos clientes ou nenhuns que condicionem a sobrevivência do negócio, pode ser terrível para o ego. Da mesma forma, ver outros concorrentes com sucesso, enquanto a nossa empresa está com dificuldades, é desmotivador.

Neste situação, tente não deixar o seu ego ser afetado, porque vai precisar de toda a sua energia para dar a volta. Possivelmente os problemas do seu negócio estão a dar-lhe um feedback importante, sobre as áreas da sua empresa que precisa de melhorar, ou eventualmente aplicar uma nova estratégia que o possa conduzir ao sucesso e poder que tanto deseja.

8 Estilos de Liderança Segundo a Toastmasters

Peões de várias cores sobre tabuleiro de jogo

Esta semana vou ter uma apresentação com um discurso público na Toastmasters sobre o tema da liderança, em que irei falar sobre os diferentes estilos, e em que contextos poderão ser usados para uma maior eficácia do líder.

Os líderes eficazes capacitam os outros a atingir metas pessoais e contribuem para a concretização dos objetivos coletivos.

Liderar e gerir não são a mesma coisa

Embora uma pessoa possa ser tanto líder como gestor, o conjunto de competências exigido para cada uma destas funções é diferente. A gestão encarrega-se do planeamento, organização e supervisão de tarefas específicas. Já a liderança envolve pessoas, sejam elas indivíduos ou grupos. Os grandes líderes inspiram os outros a segui-los.

Atributos de um líder bem-sucedido

A par com os diferentes estilos de liderança, existem certos atributos transversais para uma liderança eficaz. Um líder bem-sucedido é:

  1. Comunicador eficaz.
  2. Lidera pelo exemplo.
  3. Otimista.
  4. De mente aberta.
  5. Demonstra integridade.

Os 8 estilos de liderança

É importante conhecer as características dos oito estilos de liderança, e em que circunstâncias devem ser utilizados. Dentro destes estilos, existem aqueles que o líder tem tendência a usar naturalmente mais. É no entanto necessário, para uma liderança eficaz e completa, saber utilizar todos os estilos de liderança em função das pessoas ou situações específicas.

De seguida apresento os oito estilos de liderança de acordo com a Toastmasters.

1# Burocrático

Estabelece e aplica as regras de forma rigorosa.

INDICADO PARA: Quando uma decisão precisa ser tomada num curto período de tempo.

NÃO INDICADO PARA: Para liderar indivíduos altamente qualificados, pois geralmente sentem-se incomodados com a microgestão.

#2 Autoritário

Proporciona orientação de longo prazo concentra-se nos objetivos finais.

INDICADO PARA: Eficaz quando há necessidade de mudança de rumo ou de visão.

NÃO INDICADO PARA: Quando há necessidade de orientação explícita.

#3 Inovador

Partilha uma visão de futuro e busca a excelência.

INDICADO PARA: Quando se solucionam problemas complexos.

NÃO INDICADO PARA: Quando os riscos assumidos deixam os membros da equipa apreensivos.

#4 Produtivo

Espera que seus colaboradores abracem novos projetos e ajam com rapidez, concentrando-se na produtividade.

INDICADO PARA: Quando os membros da equipa são auto-motivados e altamente qualificados.

NÃO INDICADO PARA: Se utilizado por um longo período de tempo.

#5 Democrático

Baseia-se na tomada consensual de decisões.

INDICADO PARA: Quando o conhecimento de toda a equipa é necessário para solucionar um problema ou para encontrar um rumo.

NÃO INDICADO PARA: Quando o tempo é limitado ou os membros da equipa não têm conhecimento ou experiência para fazer contribuições de qualidade.

#6 Harmonioso

Cria uma unidade coesa, enfatizando o trabalho em equipa e a harmonia.

INDICADO PARA: Para aumentar a motivação, reparar quebras de confiança e ultrapassar situações de pressão.

NÃO INDICADO PARA: Quando o líder tem dificuldades em dar feedback negativo.

#7 Coaching

Concentra-se em preparar as pessoas desenvolvendo as suas competências.

INDICADO PARA: Em contexto individual, no qual a pessoa sob orientação é recetiva ao próximo relacionamento profissional deste estilo de liderança.

NÃO INDICADO PARA: Quando as pessoas sob orientação são avessas à mudança.

#8 Altruísta

Personaliza diferentes abordagens para atender às necessidades individuais de cada elemento da equipa.

INDICADO PARA: Criar uma cultura positiva e promover uma moral elevada.

NÃO INDICADO PARA: Se não houver tempo suficiente para aplicar uma perspetiva de longo prazo.

As 48 Leis do Poder de Robert Greene (Organizadas e Categorizadas)

ATUALIZADO a 08/05/2020

As 48 Leis do Poder de Robert Greene é uma obra indispensável para quem quer conhecer as ferramentas necessárias para 1) subir no poder e 2) defender-se de manipuladores.

O original deste artigo tinha as leis organizadas por categoria, mas depois verifiquei que estava a ir contra a filosofia de Greene, pelo que atualizei o artigo mantendo a ordem das leis. Muito importante, é saber que quase todas as leis têm exceções, em que se deve aplicar o inverso dependendo do contexto. As exceções são descritas a seguir a cada lei.

Como a célebre citação do tio do Homem Aranha (Peter Parker) dizia no filme: “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. Portanto, utilize estas leis com precaução e contenção, evitando radicalismos.

Lei 1 – Não se sobreponha ao mestre. (Exceção à lei: quando o mestre é fraco e pode cair a qualquer momento).
Lei 2 – Tenha cuidado com os amigos. Use os inimigos (Exceção à lei: para fazer um trabalho sujo use os amigos porque estes confiam em si, mas tenha em atenção para não serem amigos "próximos" porque pode incorrer no risco de os perder).
Lei 3 – Não revele os seus objetivos (Exceção à lei: revele aos outros informação errada no sentido de os afastar do caminho).
Lei 4 – Diga o menos possível (Exceção à lei: nas situações em que pretende criar uma manobra de diversão para ocultar as suas verdadeiras intenções).
Lei 5 – Guarde a sua reputação (Exceção à lei: não existe).
Lei 6 – Atraia a atenção (Exceção à lei: quando está na presença dum superior forte evitando competir com o mesmo).
Lei 7 – Obtenha o crédito pelo trabalho dos outros (Exceção à lei: se ainda não tem uma grande reputação ou trata-se de um superior forte).
Lei 8 – Lance o isco para virem até si (Exceção à lei: no caso de um inimigo fraco, pode reagir imediatamente e resolver a situação).
Lei 9 – Não discuta. Demonstre (Exceção à lei: quando é apanhado numa mentira e quer criar uma manobra de diversão).
Lei 10 – A miséria é contagiosa. Evite-a como uma praga (Exceção à lei: não existe).
Lei 11 – Faça com que precisem de si (Exceção à lei: não existe, a menos que seja um J. P. Morgan ou John D. Rockefeller).
Lei 12 – Desarme os outros sendo simpático (Exceção à lei: no caso de já ser conhecido como um artista da deceção, esta lei não surte efeito. É preferível continuar com as suas artimanhas pois é o que esperam de sim).
Lei 13 – Mostre aos outros como podem beneficiar (Exceção à lei: quando encontra pessoas que se sentem superiores em ajudar os outros).
Lei 14 – Pareça um amigo. Aja como um espião (Exceção à lei: também poderá ser espiado. Neste caso, dê informações falsas aos seus espiões para os despistar).
Lei 15 – Aniquile o seu inimigo (Exceção à lei: quando o inimigo é demasiado fraco e cai por ele próprio. Assim escusa de ser visto como impiedoso).
Lei 16 – Cultive a ausência para ganhar influência (Exceção à lei: quando ainda não é reconhecido dentro de um grupo).
Lei 17 – Seja imprevisível (Exceção à lei: ser imprevisível com um superior forte pode o deixar desconfortável).
Lei 18 – Não se isole (Exceção à lei: quando precisa de tempo para pensar. Neste caso o isolamento deverá ser temporário).
Lei 19 – Conheça as suas vítimas (Exceção à lei: não existe).
Lei 20 – Não tire partidos (Exceção à lei: em algum ponto da sua vida terá de comprometer-se com alguém, mas não se deixe envolver emocionalmente).
Lei 21 – Faça os outros sentirem-se inteligentes (Exceção à lei: quando quer sobressair em relação aos seus concorrentes, mas não abuse ao tornar-se uma ameaça).
Lei 22 – Renda-se para ganhar (Exceção à lei: quando está perto de ganhar, não pare e continue até ao fim).
Lei 23 – Concentre os seus esforços (Exceção à lei: quando é mais fraco que o seu oponente, precisa de proteção ou de diversificar o seu risco).
Lei 24 – Siga as regras do jogo (Exceção à lei: não existe).
Lei 25 – Reinvente-se (Exceção à lei: não existe).
Lei 26 – Não suje as mãos (Exceção à lei: quando precisa de mostrar um erro para gerar simpatia, ou pretende intimidar os seus subordinados).
Lei 27 – Crie um culto de seguidores (Exceção à lei: quando existe a possibilidade das suas artimanhas serem descobertas).
Lei 28 – Seja audaz (Exceção à lei: não abusar desta leis para não ofender demasiadas pessoas).
Lei 29 – Planeie até ao fim (Exceção à lei: não existe).
Lei 30 – Pareça com seja fácil e não se gabe (Exceção à lei: ocasionalmente deverá revelar as suas técnicas, para não parecer paranoico).
Lei 31 – Controle as opções dos outros (Exceção à lei: por vezes pode ser mais vantajoso deixar os outros à vontade para conhecer as suas táticas).
Lei 32 – Cultive a fantasia nos outros (Exceção à lei: quando existe a possibilidade de ser desmascarado, pelo que é importante manter as promessas vagas e ambíguas).
Lei 33 – Utilize a fraqueza dos outros (Exceção à lei: quando sentir que está a ir longe demais, virando os outros contra si).
Lei 34 – Aja como a realeza (Exceção à lei: nunca faça isto à conta da humilhação dos outros, fazendo com que se virem contra si, ou sobrepondo-se demais constituindo neste caso um alvo a abater),
Lei 35 – Saiba qual o tempo certo (Exceção à lei: não existe).
Lei 36 – Ignore os pequenos problemas (Exceção à lei: quando existe a possibilidade de ferir a suscetibilidade de alguém, podendo virar-se contra si).
Lei 37 – Crie um espetáculo atraente (Exceção à lei: não existe).
Lei 38 – Misture-se com o rebanho (Exceção à lei: quando já tem poder pode isolar-se mais, mas não abuse do isolamento para dar-lhe um traço comum).
Lei 39 – Agite os seus inimigos (Exceção à lei: no caso de criar um monstro que não consiga controlar).
Lei 40 – Utilize o dinheiro a seu favor (Exceção à lei: em certas circunstâncias pode ser mais eficaz usar a técnica do “almoço grátis” para ter a atenção dos outros).
Lei 41 – Siga o seu próprio caminho (Exceção à lei: por vezes é benéfico emular o que se fez de bem no passado, mas tenha em atenção para não ficar agarrado ao mesmo).
Lei 42 – Elimine o desordeiro (Exceção à lei: por vezes pode ser mais útil manter um oponente por perto, enquanto remove as suas bases de suporte, especialmente se existe possibilidade de vingança).
Lei 43 – Conquiste corações e mentes jogando com as emoções e fraquezas dos outros (Exceção à lei: não existe).
Lei 44 – Espelhe as emoções dos outros (Exceção à lei: quando as pessoas esperam que se comporte de um certo modo. Não abuse desta lei ou as pessoas poderão sentir-se usadas).
Lei 45 – Introduza a mudança aos poucos (Exceção à lei: durante tempos de estagnação as pessoas estão sedentas de mudança, mas esteja atento ao humor do público desacelerando as reformas a qualquer momento).
Lei 46 – Não provoque a inveja (Exceção à lei: quando está no poder e não pode fazer nada contra a inveja. Neste caso mostre desdenho pelos que o invejam. Os seus oponentes irão contorcer-se).
Lei 47 – Saiba quando parar (Exceção à lei: assegure-se que não para às portas da vitória para esmagar o seu oponente, mas neste caso não exagere criando novos inimigos).
Lei 48 – Seja elusivo (Exceção à lei: existem alguns momentos em que é preciso concentrar toda a sua força e atacar).

Para uma informação mais completa do trabalho de Robert Greene, consulte o novo blogue 48-leis-do-poder-blogs.sapo.pt, com o resumo alargado do livro.

 

Porquê Aprender sobre o Poder?

Halterofilista a levantar pesos

Depois da injustiça no trabalho da semana passada com a minha avaliação, e da curta viagem neste fim de semana em que tive a oportunidade de ler A Grande Estratégia de John Lewis Gaddis, é tempo de iniciar a semana com uma nota positiva.

Nada melhor do que conhecer e dominar as dinâmicas do poder como parte da estratégia de evolução na carreira, pois como já tinha escrito no artigo anterior, ser bom naquilo que se faz é apenas 1/3 da batalha.

As dinâmicas do poder aplicam-se em todas as áreas

De acordo com Lucio Buffalmano em The Power Moves, as dinâmicas do poder aplicam-se em todas as áreas da vida e socialização, e não têm de ser necessariamente usadas para projetar poder, mas também para se conseguir uma maior justiça, prevenir a manipulação e desenvolver relações saudáveis em que todos ganham.

O domínio das dinâmicas do poder contribui ainda para melhorar a capacidade de influência e persuasão, liderança, relacionamentos, ambiente de trabalho e qualidade de vida.

Valores a cultivar no poder

Para desenvolver o poder deve abraçar os seguintes valores:

- O poder começa pela escolha de nunca ser uma vítima.

- Somos livres e virtuosos até ao momento que o nosso poder pessoal o permite.

- Procurar crescimento, e não ajuda.

- Questionar a autoridade e as fracas lideranças.

- Encontrar o próprio caminho, em vez de seguir o dos outros.

- A verdadeira liberdade só é conseguida através do entendimento do nosso inconsciente.

- Ter em atenção os grupos e adaptar um individualismo saudável (mesmo dentro de um grupo), porque os primeiros são facilmente manipuláveis.

Como Organizar e Preparar um Discurso

Homem a falar em público num anfiteatro

A ato de falar em público assusta a maioria das pessoas. Segundo um estudo realizado pelo Sunday Times consultado no Portal Educação, dentro das maiores fobias que causam nervosismo, ansiedade, inibição e medo às pessoas, o medo de falar em público aparece em primeiro lugar, seguido do medo do fracasso financeiro em segundo lugar seguido do medo das doenças e de morrer em terceiro lugar.

De acordo com este estudo as pessoas têm mais medo de falar em público do que morrer! Neste artigo quero partilhar com o leitor como pode organizar e preparar um discurso para que na próxima vez que tiver que enfrentar uma audiência se sinta mais preparado.

Eu também me incluía no grupo de indivíduos que tinha um pavor de falar perante outras pessoas, mas há uns anos atrás resolvi começar a aprender e a praticar sobre a arte de comunicar em público. Hoje em dia até dou alguns discursos em inglês, o que era completamente inimaginável na altura.

A arte de falar em público é dividida em duas componentes:

  1. O que se pretende comunicar, conhecido como a comunicação verbal.
  2. A forma ou modo como se comunica, conhecido como a comunicação não-verbal.

Ou seja, é tão importante o que dizemos como a forma como o dizemos.

Comunicação verbal

Na comunicação verbal, se levar alguma coisa deste artigo, o mais importante é a organização do discurso.

De acordo com a Toastmasters, existem sete tipos de discursos que pode utilizar consoante o objetivo pretendido, em que se dão exemplos de organização para cada tipo.

Cronológico

O João é apaixonado por comboios. Esta paixão vem desde a infância. Ele quer partilhar a história da ferrovia com o seu clube — a sua invenção, como mudou o mundo e o seu papel atual no setor dos transportes.

Temático

A Joana quer apresentar informações sobre raças de cães de três grupos diferentes — caçadores, companhia e galgos. Ela também quer dar exemplos de cada grupo numa feira de caninos.

Espacial

O Francisco quer discursar sobre a experiência de escalar uma das montanhas mais altas do mundo. Ele gostaria de explicar a iniciados na escalada o que acontece ao corpo nas diferentes altitudes de uma montanha.

Causal

A Sónia quer contar ao seu público que praticar exercícios regularmente contribui para uma melhor saúde.

Comparativa

O António está interessado nas estruturas econômicas de dois países. Ela gostaria de apresentar as semelhanças e as diferenças aos seus colegas do clube.

Problema/Solução

A Maria acha que a sua associação poderia estar sendo mais proactiva em iniciar contato com os seus visitantes. Ela quer criar uma lista de emails para atrair novos associados para a associação. Qual será a melhor maneira da Maria apresentar esta ideia em um discurso aos associados da associação?

Particular/Geral/Particular

O Tiago está a preparar um discurso sobre o impacto coletivo que uma atitude positiva pode ter e ele quer usar como exemplo um dia no seu escritório quando um colega, com quem trabalhou, abordou um projeto de forma positiva.

Comunicação não-verbal

Diz-se muitas vezes que a comunicação não-verbal é mais impactante que a comunicação verbal. A forma como se comunica só é verdadeiramente dominada através da experiência. Se tem pouca ou nenhuma experiência, a melhor forma de começar a adquirir esta competência é praticar o seu discurso sozinho ou sozinha várias vezes, até sentir alguma confiança.

Entretanto deixo as principais características de uma comunicação não-verbal eficaz, e de acordo com a Toastasmers, que pode utilizar na próxima vez que estiver perante uma plateia.

Clareza: a linguagem falada é clara e fácil de entender.

Contacto visual: usa eficazmente o contato visual para envolver o público.

Gestos: usa gestos com eficácia.

Consciência em relação ao público: demonstra consciência do envolvimento e das necessidades do público.

Nível de conforto: aparenta estar confortável perante o público.

Interesse: envolve o público com conteúdo interessante e bem elaborado (relacionado com a organização do discurso).

Variedade vocal: usa o tom, velocidade e volume como recursos da voz (uma das características mais difíceis de dominar) .

Conclusão

Falar em público pode ser constrangedor, ou mesmo aterrador, para quem não tem experiência, mas com a preparação certa é possível reduzir o medo até um nível aceitável e conseguir enfrentar uma audiência. Se tiver em atenção a organização e a preparação do seu discurso, e preparar o suficiente irá ver que não irá ser assim tão difícil como imagina. A sensação de dever cumprido após o discurso terminado é magnífica. Mais um desafio vencido!