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The Daily Habit

Diário de produtividade pessoal

The Daily Habit

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O que David Allen nos Diz Sobre Objetivos e Metas

Making It All Work de David Allen

David Allen é um guru da gestão do tempo mundialmente conhecido pelo seu sistema Getting Things Done ou GTD.

O autor propõe organizar as listas de tarefas através de uma estrutura hierárquica:

  1. Tarefas – atividades individuais e descompostas para serem executadas (exemplo: criar um memorando no trabalho ou pagar a conta da eletricidade.
  2. Projetos – um conjunto de duas ou mais tarefas relacionadas (exemplo: escrever artigo (projeto), em que a primeira tarefa é pesquisar, a segunda tarefa é escrever e a terceira tarefa é rever e editar).
  3. Contextos – o que preciso para executar determinada tarefa (exemplo: nível de energia baixo, médio ou alto).
  4. Áreas de responsabilidade: agrupar as tarefas e listas de projetos por áreas temáticas (exemplo: pessoal, trabalho, família, hobbies, dinheiro, etc.).
  5. Objetivos ou Metas: o que pretendo alcançar nos próximos um a dois anos.

Cada um destes pontos merece um artigo dedicado, sendo que neste artigo pretendo escrever apenas sobre o último ponto da importância dos objetivos deixando aqui as principais transcrições do livro de Allen Making It All Work: Winning at the Game of Work and the Business of Life.

Sobre a importância dos objetivos

“É um facto bem conhecido de que o atributo comum dos indivíduos e organizações com alta performance é ter um conjunto de objetivos claros e escritos.”

O paradoxo dos objetivos

“Se os objetivos são tão valiosos, porque é que existe tanta resistência no processo? O desafio dos objetivos é o compromisso com qualquer tipo de resultado de longo prazo, de assumir uma vontade de abandonar a familiaridade do dia-a-dia e arriscar um salto para o desconhecido. E se não conseguir atingir o que quero? E se não for a coisa certa a fazer? O que tenho de sacrificar?”

Em determinadas alturas traçar objetivos pode não fazer sentido.

“Existem momentos em que o foco num objetivo ambicioso pode não ser o curso de ação mais apropriado, já que o poderá fazer sentir-se menos no controlo, que é o oposto do pretendido. (…) Se já está a sentir-se um pouco instável a gerir a sua atual realidade, um objetivo muito alto será provavelmente contraprodutivo.”

A importância de começar nas pequenas coisas.

“Grande parte do que desenvolvi nos modelos GTD foi baseado no facto de que as pessoas não conseguem focar-se apropriadamente no quadro geral por causa da sua incapacidade para lidar com o essencial. Existem momentos da vida em que as pequenas coisas sobrecarregam tanto uma pessoa que definir objetivos poderá ser um exercício artificial e penoso.”

Só o indivíduo poderá saber se precisa ou não de ter objetivos

“É uma decisão difícil saber quando se devem traçar metas e objetivos para se atingir o foco, e quando será melhor aceitar e gerir a realidade, para que mais tarde, no devido tempo, e com maior estabilidade e claridade, finalmente caminhar em direção a novas direções e responsabilidades. Somente o próprio sabe a resposta.”

Conclusão

David Allen descreve no seu livro que embora a criação de metas e objetivos seja essencial a uma maior rentabilidade de indivíduos e organizações, quando nos sentimos desorganizados e vivemos no caos, poderá fazer mais sentido focarmo-nos nas pequenas coisas e no essencial. Neste caso, estabilizar o dia-a-dia, deverá ser a prioridade.

À medida que ganhamos controlo e confiança, mais tarde, podemos decidir se no nosso caso em particular justificará traçar objetivos, que só fará sentido se proporcionar um foco adicional.

Até porque existem muitas pessoas bem-sucedidas que nunca traçaram objetivos, embora se acredite que neste último caso estas tenham um propósito maior que serve de guia para aproveitarem as oportunidades que a vida lhes dá

15 Livros Não Convencionais Sobre Poder, Persuasão e Manipulação

Marionetes

Depois de ler estes livros a sua visão sobre a sociedade e o mundo provavelmente mudará. Para ser consumido com moderação.

1. As 48 Leis do Poder de Robert Greene

Uma verdadeira Bíblia de como funcionam as dinâmicas do poder no dia-a-dia.

2. As 33 Estratégias de Guerra de Robert Greene

Um manual para as guerras sem violência da sociedade moderna com técnicas passivo-agressivas, de micro-agressão e de pressão psicológica. Obra essencial a qualquer político.

3. Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas de Dale Carnegie

Um clássico sobre a arte do charme pessoal que dispensa qualquer apresentação.

4. Influência - A Filosofia da Persuasão de Robert B. Cialdini

Um  livro com os seis princípios universais de influência e persuasão, e que inspirou muitos outros autores.

5. A Arte da Sedução de Robert Greene

Focado no charme social e sensual como uma ferramenta para a sedução e manipulação, tanto a nível individual como das massas.

6. Meditações de Marco Aurélio

Um diário inquisitivo e introspectivo de um imperador romano agarrado à filosofia estóica.

7. The Art of Deception de Kevin D. Mitnick

Engenharia social com muitos exemplos práticos de aplicação da deceção.

8. In Sheep's Clothing de George Simon

Psicologia dos manipuladores sociais, pessoas sedentas de poder e a agressão encoberta ou o que se chama de "lobo em pele de cordeiro".

9. Propaganda de Edward Berneys

Manipulação de topo para dirigir as massas.

10. No More Mr Nice Guy de Robert A. Glover

Se é uma pessoa naturalmente boazinha, provavelmente este livro irá transformar a sua vida e deixar de ser pisado tão facilmente.

11. The Dictators Handbook de Alaistair Smith

Um manual dirigido a narcisistas e sociopatas que pretendam adquirir poder e riqueza de nível presidencial.

12. How to Lie with Statistics de Darrell Duff

Como os números são manipulados na ciência e marketing para persuadir e influenciar.

13. The Wisdom of Psycophaths de Kevin Dutton

Como a amoralidade, o desejo sedento de poder e a crueldade podem providenciar uma vantagem na vida.

14. The Art of Wordly Wisdom by Baltasar Gracian

Um livro com incríveis observações sociais da natureza humana ardilosa da mente de um filosofo renascentista espanhol do século XVII.

15. Ricordi de Francesco Guicciardini

Máximas de um cortesão do século XV sobre psicologia e maquiavelismo com algum do material imoral jamais escrito.

Mindfulness de Mark Williams & Danny Penman

Livro Mindfulness Atenção Plena - Williams & Penman

Nas últimas semanas a minha ansiedade disparou para níveis superiores ao normal. Um dos fatores é o pico de stress com um projeto exigente rodeado de uma equipa com agenda e interesse próprio.

Para ajudar a combater este momento, decidi retomar a prática regular do mindfulness, que no passado já tinha usado com resultados eficazes.

Existem muitos programas nesta disciplina de meditação com origem budista. O livro que estou a seguir intitula-se Mindfulness - Atenção Plena dos autores Mark Williams e Dany Penman. Este texto apresenta um programa de 8 semanas acompanhado por um CD com meditações guiadas.

Williams e Penman explicam de uma forma simples como este tipo de meditação nos pode ajudar, e dão o exemplo da música. Quando ouvimos uma música várias vezes e que gostamos, associamos os momentos agradáveis e emoções positivas do passado que nos levam numa “boa viagem”. Da mesma forma, quando temos um problema, e ficamos preocupados e com pensamentos negativos, associamos os momentos desagradáveis e emoções negativas do passado, que nos levam numa “má viagem”.

No último caso, se os pensamentos e emoções negativas persistirem, e não forem tratados, conduzem a uma espiral descendente, e que pode manifestar-se em stress grave, ansiedade, depressão e outros males fisiológicos.

O mindfulness pretende quebrar esta espiral descendente, fazendo com que se interrompam os pensamentos e emoções negativas logo no início da espiral,

O programa do livro é muito direto, sendo que vou dar início à primeira semana com as seguintes práticas:

  • Meditação principal do corpo e respiração sentada ou deitada, duas vezes por dia (esta meditação vem no CD).
  • Meditação da passa da uva, uma vez por dia.
  • Atenção plena a uma atividade rotineira diária, em que vou escolher o pequeno almoço, uma vez por dia.
  • Libertador de hábitos, em que escolhi sentar-me numa cadeira diferente à refeição, uma vez por dia.

Na próxima semana farei um ponto de situação do processo de meditação, onde serão também descritas as práticas para a semana dois.

O Blogue The Daily Habit é Referenciado no Jornal Expresso

Esta semana o blogue The Daily Habit foi referenciado no jornal expresso na newsletter matinal com o resumo do livro A Grande Estratégia de John Lewis Gaddis.

Trata-se de um livro que aborda a estratégia geral dos grandes líderes da história, desde a antiga Grécia e China até tempos mais recentes com a construção dos Estados Unidos da América.

Selecionei as passagens de Gaddis que considerava de maior relevo, e reconstrui o livro com os tópicos que conduziam o leitor na narrativa do autor.

É uma grande satisfação ver o meu trabalho mencionado num jornal de referência nacional como o Expresso, principalmente depois de dedicar longas horas a escrever neste blogue sem a espectativa de qualquer retorno financeiro ou outro, apenas partilhando na escrita a minha paixão pela expressão individual.

A Arte da Guerra de Sun Tzu, Resumo do Livro – As Minhas Notas

Sun Tzu nasceu em 544 A.C., e fontes discordam dos detalhes da sua vida e paradeiro. Sabemos que era de origem chinesa, estratega militar, escritor e filósofo.

O nome está ligado ao livro A Arte da Guerra, que influenciou fortemente a estratégia militar oriental e chinesa e a filosofia em geral.

Inicialmente tinha pensado em criar um blogue exclusivo a este livro, escrevendo um artigo por capítulo, num total de 13. Depois de iniciar o trabalho, reparei que embora algumas das lições do livro sejam intemporais, existem diversas traduções com diferentes interpretações, o que acabava por ser mais um trabalho de estudo literário do que as lições práticas que reteria do livro.

Assim, resolvi escrever num artigo único um resumo geral do livro, com a essência de cada capítulo.

Poderá também ler resumos de outros autores nos sites Culturagenial, Familialong ou Docsity. A blogue Artblog descreve o contexto histórico do livro. Os sites PsicanáliseCliníca e ManualdoHomemModerno apresentam as frases mais conhecidas do livro. Já o BlogdeEscala vai por outro caminho, e aplica as lições da Arte da Guerra ao montanhismo, para se ter uma ideia da versatilidade e áreas de aplicação do livro.

Introdução

Para Sun Tzu, a guerra é um grande esforço para empreender e não deve ser iniciada sem consideração detalhada. Para isso deve-se começar sempre por reunir toda a informação disponível.

1. Avaliação e planeamento

A principal mensagem deste capítulo é que uma análise e preparação fracas levarão ao fracasso. Sun Tzu descreve os cinco fatores fundamentais da avaliação e planeamento, tais como:

- Missão.
- Clima.
- Terreno.
- Comando.
- Métodos.

2. Custo da guerra

Este capítulo centra-se nos custos da guerra, sendo um conceito crítico de A Arte da Guerra. Sun Tzu sublinha que o conflito é caro e vencer o oponente sem conflito é sempre a melhor resolução. No entanto, se tiver de travar uma guerra, faça-o com determinação e o mais rápido possível.

3. Ataque Estratégico

Destruir o inimigo não é a maior forma de realização de guerra, mas sim capturá-lo e subjugá-lo sem lutar. Sun Tzu considera as seguintes as melhores estratégias de guerra:

- Perturbar os planos do inimigo
- Impedir o inimigo de unir forças
- Atacar no campo

E a pior estratégia de todas é cercar cidades muradas.

4. Posicionamento

Antes mesmo de se mover, deve pensar em evitar perdas. Um exército deve defender as posições existentes até estar pronto e capaz de avançar em segurança. Não se mexa sem rumo, mas aprenda a ver a abertura que o seu inimigo lhe dá. Quando lhe consegue detetar um erro, pode ganhar com pouco custo e força.

5. Forças

A criatividade é importante para ganhar guerras, mas se for desenfreada pode ser perigosa. A criatividade deve ser ligada à realidade e utilizada em conjunto com métodos de trabalho comprovados.

6. Pontos Fracos e Pontos Fortes

A ideia deste capítulo é atacar quando e onde o seu inimigo está menos preparado e capaz de defender. Faça o inimigo apressar-se a lutar contra si, e ele vai chegar cansado. Aparece onde o inimigo não espera, e vai apanhá-lo de surpresa. Mantenha posições que não podem ser atacadas e ataque posições que não sejam defendidas ou difíceis de defender.

7. Manobras

Este capítulo centra-se na logística da guerra. O conflito direto é perigoso e dispendioso, mas às vezes é necessário, só devendo ser usado no caso de ser inevitável.

8. Adaptação

Cada situação é única, mas pode reconhecer elementos familiares em qualquer situação única. Embora queiramos ser criativos, também queremos aderir a métodos comprovados que funcionem.

9. Movimento

Este capítulo detalha o movimento de um exército. Pode ser mais antiquado dada a guerra moderna, mas alguns elementos ainda são válidos na infantaria. São apresentadas algumas regras gerais, tais como:

- Acampe em terreno alto.
- Não suba terreno alto para lutar.
- Afaste-se do rio se o atravessar.
- Ataque quando o exército está a meio caminho de atravessar um rio

10. Seis posições de campo

Este capítulo analisa os diferentes tipos de terreno e as vantagens e desvantagens de cada um. Estes são os seis tipos de terreno:

- Terreno acessível.
- Terreno pendente.
- Terreno temporário.
- Passes estreitos.
- Alturas precipitadas
- Muito longe.

Por exemplo, o terreno acessível é fácil de deixar e voltar. O terreno pendente é fácil de deixar, mas difícil de voltar e não deve ser usado para lançar um ataque. Porque se o ataque falhar, não é fácil para si recuar para o lugar de onde veio.

11. Nove Campos de Batalha

Sun Tzu lista nove tipos de campos de batalha:

- Dispersivo (território próprio).
- Facilidade.
- Contencioso.
- Aberto.
- Interseção rodoviária.
- Sério.
- Difícil.
- Cercado.
- Desesperado

12. Ataque de fogo

As armas de hoje são bem diferentes, mas a estratégia mantém-se. Há cinco maneiras de usar o fogo na guerra, diz Sun Tzu, podendo queimar:

- Soldados no seu acampamento.
- Armazéns.
- Carruagens de mantimentos.
- Armamento.
- Lançando fogo entre as tropas inimigas.

13. Inteligência

A Arte da Guerra afirma que não existe tal coisa a realidade objetiva, mas sim interpretações diferentes da realidade. Quão perto interpretamos a realidade é um elemento importante de ganhar ou perder uma guerra. De certa forma, todas as guerras são guerras de informação.

Conclusão

A Arte da Guerra é possivelmente o livro de estratégia militar mais antigo e mais conhecido. Se bem que concetualizado num âmbito de guerra com o objetivo de um general planear e conduzir as suas tropas à vitória, hoje é usado, com as devidas adaptações. em áreas como os negócios e a política, ou qualquer função onde existam dinâmicas de poder. Substitua inimigos por concorrentes ou oponentes.

 

30 Artigos em 30 Dias: Mais um Desafio Literário Concluído

Depois de 30 artigos em 30 dias concluí o desafio “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” inspirado no livro de Dale Carnegie. Foram publicados 30 princípios intemporais no domínio das relações humanas e desenvolvimento pessoal.

Devo confessor que senti este desafio mais leve que o anterior das “48 Leis do Poder” baseado na obra de Robert Greene.

São dois grandes livros de liderança com técnicas de influência interpessoais, mas antagonistas na sua abordagem. Enquanto o livro de Carnegie parte da premissa de que as pessoas têm bons valores e que ao ter uma atitude “mais correta” conseguimos as influenciar, já o livro de Greene parte da premissa de que o ser humano é egoísta por natureza, e que para influenciar este é preciso recorrer a tácticas de uso do poder “menos convencionais".

No fundo os dois livros complementam-se. São uma espécie de yin e yang da filosofia chinesa, como forças complementares e opostas que se encontram em todas as coisas.

Carnegie funciona como a face em que devemos nos apresentar ao mundo, e Greene como o lado estratégico e de planeamento em que devemos trabalhar.

Desafio 48 Leis do Poder Concluído!

Esta semana conclui o desafio 48 Leis do Poder, escrevendo um artigo por dia correspondente a cada lei. Esta autêntica “maratona” foi baseada no livro de Robert Greene com o mesmo nome.

É escusado de dizer que sou fã do trabalhado deste autor, que me abriu os olhos para os bastidores do poder: como as manobras de manipulação funcionam, e como as pessoas pensam e agem para atingirem os seus objetivos pessoais, usando táticas, digamos, menos convencionais.

A principal premissa do livro é a de que cada pessoa age no seu próprio interesse, não vendo meios para atingir os fins. Aliás, esta premissa está relacionada com uma das assunções da teoria económica moderna, em que os indivíduos pensam em primeiro lugar nos seus interesses, antes de pensarem nos outros.

Enganem-se aqueles que consideram que os conhecimentos das 48 leis do poder é apenas reservada aos que querem o poder, como progredir profissionalmente numa organização ou conseguir um cargo político.

Mesmo que a ambição não seja o que mais nos move, temos de aprender a viver em sociedade, e encornar formas de nos defendermos daqueles que nos querem usar para atingir os seus fins.

A única pena que tenho é não ter tido acesso a este livro de Greene mais cedo. A primeira publicação do livro 48 Leis do Poder foi em 1998. Mas como dizem: mais vale tarde que nunca!

A Grande Estratégia de John Lewis Gaddis, Resumo do Livro - As Minhas Notas

 

A Grande Estratégia de John Lewis Gaddis

A Grande Estratégia de John Lewis Gaddis é um livro especial, de base académica, pelas origens do autor como professor na Universidade de Yale nos Estados Unidos, que venceu um prémio Pulitzer e é um dos historiadores mais reputados da atualidade.

Esta obra aborda a temática da grande estratégia recorrendo a textos clássicos e a estudos de caso históricos. Este resumo pretende transmitir as minhas notas com as citações que considero ter uma maior componente prática aos líderes atuais.

Os seres humanos, em termos da estratégia que empregam, são divididos por dois tipos, os porcos-espinhos e as raposas (Isaiah Berlin) (pág. 18):

“Os porcos-espinhos, explicava Berlim, relacionam tudo com uma única visão central através da qual tudo o que dizem fazem ganha significado. As raposas, pelo contrário, prosseguem muitos fins, muitas vezes não relacionados entre ti e até contraditórios, ligadas apenas, se de todo ligados, de algum modo de facto.”

Ligação entre a formulação de uma teoria e o passado (pág. 24):

“A prova de uma boa teoria reside na sua capacidade para explicar o passado, pois só se o fizer podemos confiar no que pode dizer-nos sobre o futuro.”

Reconhecer a relação entre os fins e os meios (pág. 26):

“Visto que só existem na imaginação, os fins podem ser infinitos: um trono na lua, talvez, com uma grande vista. Os meios, porém, são teimosamente finitos são botas no terreno, navios no mar e os corpos necessários para o encher. Fins e meios tem de ter relação para alguma coisa acontecer. Nunca são, contudo, intercambiáveis.”

Porcos-espinhos e raposas não precisam de ser mutuamente exclusivos (págs. 29 e 34):

“Berlin admitiu, pouco antes da sua morte, que (…) algumas pessoas não são raposas nem porcos-espinhos, algumas pessoas são ambas as coisas. Tinha estado apenas a jogar um jogo intelectual. Outros tomaram-no demasiadamente a sério. A explicação faz sentido dentro do quadro mais amplo do pensamento de Berlin, pois que escolhas teríamos se estivéssemos presos dentro de categorias, imitando animais, que tornassem a previsibilidade obrigatória? (…) Precisaríamos de combinar numa só cabeça (a nossa), o sentido de orientação do porco-espinho e a suscetibilidade da raposa ao meio ambiente. Conservando ao mesmo tempo a capacidade de funcionar.”

“Talvez devamos a nossa existência, portanto, à destreza com o qual mudamos entre pensamento rápido e pensamento lento - entre o comportamento de raposas e de porcos-espinhos.”

Sobre o senso-comum (pág. 35):

“O senso comum (…) é como oxigénio: quanto mais alto se sobe mais escasso se torna. “Com grande poder vem grande responsabilidade”, lembrava ao homem-aranha, memoravelmente, o seu tio Ben - mas também o risco de fazer coisas estúpidas.”

Definição de grande estratégia e sobre o êxito (págs. 35 e 36):

“Definirei esta expressão (grande estratégia), para efeitos deste livro, como o alinhamento de aspirações potencialmente ilimitadas com capacidades necessariamente limitadas.”

“Especificar o êxito nunca foi fácil, mas a natureza infinita dos meios ajudou a fazê-lo. Pois embora a satisfação seja, em última análise, um estado de espírito, atingi-la requerer despesas verdadeiras.”

Sun Tzu e A Arte da Guerra (págs. 79 e 80):

“Sun Tzu (…) apresenta princípios, escolhidos pela sua validez ao longo do tempo e do espaço, e depois relaciona-os com práticas, limitadas no tempo e no espaço. A Arte da Guerra, por conseguinte, não é história nem biografia. É uma compilação de preceitos, de procedimentos - e afirmações categóricas: general que dá ouvidos a minha estratégia, é certa a sua vitória. Conservai-o! Quando for um que se recusa a dar ouvidos a minha estratégia, a sua derrota e certa. Demitiu -o!”

“Ninguém pode prever tudo o que pode acontecer. Ter uma ideia das possibilidades, no entanto, é melhor do que não ter qualquer noção do que esperar. Sun Tzu procura sentido - mesmo sentido comum - amarrando os princípios, que são poucos, às práticas, que são muitas. A liderança em a Arte da Guerra é, então, ver simplicidades na complexidade.”

A ironia sobre a natureza do comportamento humano segundo Santo Agostinho (pág. 112):

“Agostinho dizia se os bebés são inocentes não é por falta de vontade de fazer mal mas por falta de força.”

Importância das listas (pág. 118):

 “Agostinho formulou os seus critérios sob a forma de uma lista, não de mandamentos. Isso foi porque as listas se adaptam melhor a mudança do que os mandamentos. Os marinheiros recorrem a elas antes de se fazerem ao mar. Os soldados empregam-nas para planear missões. Os cirurgiões exigem-nas para segurarem de que terão os instrumentos de que precisam e não deixaram nenhum para trás. Os pilotos percorrem-nas para garantir descolagens seguras e aterragens suaves - de preferência no aeroporto pretendido. Os pais desdobram-nas para prevenir tudo o que pode correr mal quando se transportam crianças pequenas. As listas fazem perguntas comuns em situações que podem surpreender: a ideia é abordá-las tanto quanto possível a probabilidade de que o façam

As crenças de Santo Agostinho (págs. 120 e 121):

“Agostinho nunca foi o monoteísta de todo o coração. Adorava a razão tanto quanto adorava Deus.”

“Alinhamento, por sua vez, implica interdependência. A justiça é inalcançável na ausência da ordem, a paz pode requerer que se travem guerras.”

Nicolau Maquiavel responde qual o uso da história (pág. 124):

“As competências necessárias são as da imitação, da adaptação e da aproximação. Maquiavel recomenda o estudo da história, pois visto que os homens caminham sempre por sendeiros já batidos por outros e procedem nos seus atos por imitação, um homem prudente deve seguir sempre os caminhos batidos por grandes homens e imitar aqueles que foram os mais excelentes, de modo que se a sua virtude não chega tão longe está pelo menos no seu olor.”

O que distingue Agostinho de Maquiavel (pág. 130):

“Penso que a visão que Agostinho tem da justiça, que tem que ser precedida pela ordem. Só um Estado pode providenciar estabilidade, mas Agostinho só presta contas ao seu Deus. Maquiavel não é nenhum ateu, mas o seu Deus não governa Estados.”

A transgressão de Maquiavel (pág. 133):

“A grande transgressão de Maquiavel, conclui Berlim, foi confirmar o que toda a gente sabe mas ninguém quer admitir: que os ideais não podem ser alcançados. a política, por conseguinte, nunca pode equilibrar o realismo com o idealismo: só há realismos concorrentes. Não há competição na governação entre política e moralidade: só há política.”

Voltando á racionalidade da teoria (págs. 225 e 226):

 “A teoria existe para que uma pessoa não precise de começar do zero de cada vez, selecionando o material e trabalhando nele, mas sim o encontre à mão e em boa ordem. Destina-se a educar o espírito do futuro comandante ou, mais exatamente, guiá-lo na sua autoeducação, não a acompanhá-lo ao campo de batalha; tal como um professor sábio guia e estimula o desenvolvimento de um jovem mas tem o cuidado de não o levar pela mão durante o resto da sua vida.”

Carl von Clausewitz vê a teoria, portanto como treino. é o que endurece o corpo para grandes esforços, fortalece o coração perante os grandes perigos e fortalece o julgamento contra as primeiras impressões.”

Ernst von Pfuel era um daqueles teóricos que amam tanto a sua teoria que se esquecem do propósito da teoria - a sua aplicação na prática; no seu amor pela teoria, odiava tudo o que era prático e não queria saber disso. Até ficava contente com o fracasso, porque o fracasso, procedendo de desvios da teoria na prática só provavam a seu ver a correção da teoria.”

Proporção e contradições (pág, 232):

 “Sobre a guerra e Guerra e Paz balanceiam opostos incessantemente e numa extensão épica. É daí que a proporcionalidade - a simultânea compreensão de contradições - vem.”

Teoria versus prática. Preparação versus improvisação. Planeamento versus fricção. Força versus política. Situações versus esboços. Especialização versus generalização. Ação versus inação. Vitória versus derrota. Amor versus ódio. Vida versus morte. Comandar de dentro das nuvens versus manter o chão à vista.  Mas nenhum versus arte e ciência. Não é exagero dizer, por conseguinte, que Clausewitz e Liev Tolstói juntos são, na amplitude, imaginação e honestidade com que abordaram estas grandes questões os maiores dos estrategas.

Os presidentes norte-americanos (págs. 309 e 326):

Tanto numa coisa como noutra foi um autodidata (Abraham Lincoln). Lia vorazmente, lembrava-se pragmaticamente e aplicava engenhosamente as lições que aprendia.

“Pois mostrava (Franklin D. Roosevelt) que o poder e a ordem não são uma camisa de forças da doutrina, que é possível conciliar a liberdade individual - uma textura larga da sociedade - e um mínimo indispensável de organização e autoridade.”

Intelecto e temperamento no sucesso (pág. 326):

“Qualquer atividade complexa, escreve Clausewitz, se é para ser levada a cabo com o mínimo de grau de virtuosidade requer dotes apropriados de intelecto e de temperamento. Se forem extraordinários e se revelarem me feitos excecionais, quem os possuía é declarado um génio. Pois como nenhuma política pode ser pura também a grande estratégia não pode deixar de ser afetada pelo imprevisto.”

Desafios de um Autor

No artigo anterior escrevi sobre os primeiros passos na publicação de um livro, e de como contava iniciar o processo de pesquisa bibliográfica e posicionamento de um texto sobre produtividade pessoal.

Analisei a evidência que suportava a publicação do livro na temática da gestão do tempo. Neste artigo vou analisar o contrário, procurando evidência contra a sua publicação.

Para o leitor ou leitora que acompanha este blogue, poderá parecer um pouco confusa esta proposta. Temos a tendência natural de apenas observar os factos que suportam as nossas decisões ou escolhas emocionais. É necessário ir mais além, ver outras perspetivas sobre as decisões mais importantes das nossas vidas.

Deve-se também evitar a armadilha do excesso de informação que atrapalha a tomada de decisão, ou pior ainda, leva à procrastinação.

Na investigação para a publicação de um livro na temática da produtividade pessoal, deparei com vários desafios:

  1. Não existem bloggers portugueses a escrever consistentemente sobre produtividade pessoal ou gestão do tempo, o que indica que possivelmente não existe mercado em Portugal.
  2. Tinha previsto escrever apenas um livro de gestão do tempo, sendo que em 2021 iria escrever outro de finanças pessoais. Não existiria continuidade do trabalho de autor, conhecido como spin-off, com a futura publicação de outros livros relacionados, e que as editoras tanto gostam.
  3. Escrever o livro é só o início. O mesmo tem ainda de ser promovido antes, durante e depois de estar escrito no canais de comunicação mais adequados. Escrever só por escrever é o mesmo que deixar o trabalho na gaveta.
  4. Os artigos mais lidos no blogue The Daily Habit continuam a ser os de finanças pessoais, embora escreva mais sobre produtividade pessoal e gestão do tempo (ver 27 Blogues e Sites de Finanças Pessoais PortuguesesFundo de Investimento da Caixagest Ações Líderes Globais: Será que Vale a Pena?).

Possivelmente terei mais impacto (e mais leitores) se escrever um livro sobre finanças pessoais, especialmente se conseguir demonstrar que conseguir obter a independência financeira através do investimento nos mercados financeiros, que é o meu nicho nesta área.

Por outro lado, não é necessário desistir completamente da ideia do livro de produtividade, porque saber como gerir melhor o tempo e o investimento nos mercados financeiros estão relacionados. A negociação ativa na bolsa de valores exige tempo, e para quem trabalha numa organização ou gere o seu próprio negócio, pode ser difícil encontrar a disponibilidade necessária.

É aqui que uma boa gestão do tempo entra, libertando as horas do dia de outras atividades menos importantes para o investimento.

Estas horas a mais que se conseguem através da excelência na produtividade pessoal não se limitam apenas a obter maiores rendimentos financeiros, podendo-se estender a outras áreas tais como: criação de um negócio em part-time, desenvolvimento de uma estratégia para progredir na carreira, desenvolvimento de um blogue ou site, hobbies, ou outra paixão qualquer no qual não conseguiu arranjar tempo.

Se vou continuar escrever sobre produtividade pessoal? Claro que sim, até porque é a temática central no blogue The Daily Habit, mas o livro de gestão do tempo terá de aguardar.

Os Primeiros Passos na Publicação de Um LIvro

Após a conclusão da tese de mestrado em 2018 iniciei este blogue como forma de continuar o momento da criação de conteúdos. Ainda considerei avançar com o doutoramento, mas avaliando o custo/benefício não fazia sentido nesta altura da minha vida.

Abordei anteriormente na rúbrica The Dailies o meu desejo em ser um autor publicado, já tendo algumas ideias para livros sobre: 1) produtividade pessoal e 2) investimento nos mercados financeiros.

O ponto de partida para se escrever um livro é a paixão sobre o tema. Logo a seguir é descobrir se existe mercado ou leitores que justifiquem toda a dedicação exigida. Em terceiro lugar é preciso criar o posicionamento certo que distinga o autor de todos os outros trabalhos publicados.

Além destes três pontos, seja através de publicação independente ou editora é necessária a criação do que é entendida como a plataforma do autor para promoção do trabalho.

Pretendo que estes livros tenham forte componente prática, com a base teórica essencial de apoio aos conteúdos. Os métodos descritos, tanto de produtividade pessoal como de investimento, terão de ser validados através de casos práticos.

O livro sobre o investimento na bolsa de valores só poderá ser publicado após obter resultados consistentes e os meus objetivos de rentabilização serem atingidos, que nunca será antes de 2021. Não existe tal coisa como apressar os resultados nos mercados, que só podem dar em mau resultado

Muitos autores que escrevem sobre este tipo de investimentos, não têm sucesso comprovado ou o mesmo é muito ténue, o que mina logo à partida a sua credibilidade. Não quero que aconteça o mesmo comigo.

Em 2020, tenho o caminho preparado para delinear a estratégia de viabilização do projeto literário de produtividade pessoal. A primeira fase inclui a pesquisa bibliográfica e a seleção da audiência.

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