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The Daily Habit

Diário de produtividade pessoal

The Daily Habit

Diário de produtividade pessoal

O Sucesso Está nos Pormenores

Nas duas últimas semanas não tenho publicado tanto quanto gostaria no The Daily Habit, porque estou a desenvolver outro blogue dedicado ao livro de Dale Carnegie “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, além de estar intensamente a desenvolver a minha estratégia de investimento nos mercados financeiros.

O projeto do blogue termina esta semana, e se tudo correr bem, irei iniciar um novo projeto relacionado com outro livro clássico de liderança e estratégia (a anunciar em breve), sendo que antes irei fazer uma pausa de pelo menos uma semana nos projetos literários.

Irei aproveitar para publicar um artigo por dia no The Daily Habit, e consolidar o meu diário de produtividade pessoal com os últimos desafios profissionais e pessoais, e dedicando tempo ao corpo e mente para uma maior energia para enfrentar e resolver os inevitáveis problemas.

Para ter sucesso em alguma área da vida, é preciso em primeiro lugar muita dedicação, impulsionada por uma auto motivação ainda maior. A concorrência é feroz em tudo o que vale a pena conquistar, pelo que o “mercado” só premeia os que verdadeiramente estão dispostos a fazer de tudo para atingir os seus objetivos.

No início, quando estamos a aprender algo de novo, só conseguimos ter uma perceção geral da realidade. À medida que vamos avançando no conhecimento e na experiência, a realidade vai ficando mais clara. Depois de muitas centenas e milhares de horas dedicados a uma matéria, conseguimos finalmente avistar toda a dimensão da realidade, e de quanto pequenos somos perante a mesma.

Nesta altura de consciência plena, conseguimos finalmente nos aperceber dos detalhes e pormenores que fazem toda a diferença, e que constituem a nossa vantagem competitiva num mundo sem tempo para desculpas.

As Leis da Natureza Humana de Robert Greene, Resumo do Livro – As Minhas Notas

As Leis da Natureza Humana de Robert Greene

Artigo atualizado a 17/01/20

Depois de vários bestsellers, como As 48 Leis do Poder e Maestria, Robert Greene regressa com mais uma obra impressionante.

Em As Leis da Natureza Humana, Greene apresenta as diferentes teorias que moldam o pensamento e comportamento humano, e que todos podemos utilizar para nos conhecermos melhor e ganhar uma maior capacidade de influência sobre os outros.

Eu penso neste livro como um grande texto da psicologia humana, com grande parte dos argumentos provenientes de vários psicólogos, filósofos e romancistas do último século. O autor também é claramente influenciado pela filosofia estoica, sobre o qual já escrevi aqui no blogue.

O livro é divido em 18 leis, sendo de seguida apresentado o resumo e de como podemos beneficiar.

#1 – Lei da Irracionalidade: domine o seu eu emocional.

#2 – Lei do Narcisismo: transforme o amor-próprio em empatia.

#3 – Lei da Dramatização: veja para lá das máscaras das pessoas.

#4 – Lei do Comportamento Compulsivo: as pessoas tendem a repetir os seus comportamentos.

#5 – Lei da Cobiça: não esteja tão presente, porque as pessoas querem o que não têm.

#6 – Lei da Falta de Visão: veja para além do presente.

#7 – Lei da Defensiva: atenue a resistência dos outros confirmando a sua autoimagem.

#8 – Lei da Autossabotagem: mude as circunstâncias mudando a sua atitude.

#9 – Lei da Repressão: enfrente o seu lado negro.

#10 – Lei da Inveja: vigie um ego frágil.

#11 – Lei da Grandiosidade: conheça os seus limites.

#12 – Lei da Rigidez dos Géneros: ressintonize-se com os seus lados masculino e feminino.

#13 – Lei da Futilidade: avance com uma noção de propósito.

#14 – Lei do Conformismo: resista à força gravítica descendente do grupo.

#15 – Lei da Volubilidade: nunca tome a liderança como certa, sendo um processo contínuo.

#16 – Lei da Agressão: detete a hostilidade sob uma fachada amistosa.

#17 – Lei da Miopia Geracional: aproveite o momento histórico.

#18 - Lei da Negação da Morte: medite na mortalidade do ser humano.

Cuidado com o Ego na Subida ao Poder

O poder é constituído por estatuto e dinheiro.

Numa organização, quando se sobe na hierarquia, o profissional é promovido ganhando um novo estatuto acompanhado de um aumento salarial e benefícios.

Num negócio, o sucesso de um empreendedor, é conseguido através da conquista de um maior número de clientes para os seus produtos ou serviços, traduzindo-se em mais lucro e reconhecimento da marca.

Existe no entanto, um inimigo comum, tanto para profissional como o empreendedor: o ego, que segundo o Priberam é defenido como o conceito que o indivíduo tem de si mesmo. Ou seja, nós somos o nosso maior inimigo. O ego consegue prejudicar-nos mais que os nossos inimigos pessoais.

O ego do profissional

Num seio de uma organização, os melhores lugares são sempre muito disputados. Quem já está numa posição de poder, quer continuar a subir na escada corporativa, ou quanto muito, não perder a sua posição. Para isso irá recorrer-se dos mais variados esquemas com os seus subalternos que possam vir a ocupar o seu lugar.

O principal técnica utilizada é minar a confiança dos seus colaboradores, no sentido de os fazer sentir menos importantes. Isto é conseguido muito subtilmente, não reconhecendo as suas conquistas ou o que fazem bem. Quando existem reuniões importantes com alguém da administração ou um cliente importante por exemplo, tentam fazer com que os seus colaboradores nunca assistam a estas reuniões.

Tudo estás técnicas têm o objetivo de baixar o ego dos seus colaboradores, no sentido de os manter menos motivados, e assim não “brilharem” tanto para não terem hipótese alguma de os substituírem.

Mas cabe a cada pessoa proteger o seu ego, e felizmente só depende de nós. Assim, quando o seu chefe lhe lança uma artimanha, reconheça o que lhe está a acontecer, a tendência do seu ego para se sentir ofendida, e tente desligar-se o melhor que conseguir. Não leve as atitudes do seu chefe para o campo pessoal, porque trata-se de um jogo de poder. Se quer ganhar, tem de aprender as regras e jogar melhor que os outros.

O ego do empreendedor

No caso do empreendedor, os chefes são substituídos por clientes e empresas concorrentes. Ter poucos clientes ou nenhuns que condicionem a sobrevivência do negócio, pode ser terrível para o ego. Da mesma forma, ver outros concorrentes com sucesso, enquanto a nossa empresa está com dificuldades, é desmotivador.

Neste situação, tente não deixar o seu ego ser afetado, porque vai precisar de toda a sua energia para dar a volta. Possivelmente os problemas do seu negócio estão a dar-lhe um feedback importante, sobre as áreas da sua empresa que precisa de melhorar, ou eventualmente aplicar uma nova estratégia que o possa conduzir ao sucesso e poder que tanto deseja.

As 48 Leis do Poder de Robert Greene (Organizadas e Categorizadas)

ATUALIZADO a 08/05/2020

As 48 Leis do Poder de Robert Greene é uma obra indispensável para quem quer conhecer as ferramentas necessárias para 1) subir no poder e 2) defender-se de manipuladores.

O original deste artigo tinha as leis organizadas por categoria, mas depois verifiquei que estava a ir contra a filosofia de Greene, pelo que atualizei o artigo mantendo a ordem das leis. Muito importante, é saber que quase todas as leis têm exceções, em que se deve aplicar o inverso dependendo do contexto. As exceções são descritas a seguir a cada lei.

Como a célebre citação do tio do Homem Aranha (Peter Parker) dizia no filme: “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. Portanto, utilize estas leis com precaução e contenção, evitando radicalismos.

Lei 1 – Não se sobreponha ao mestre. (Exceção à lei: quando o mestre é fraco e pode cair a qualquer momento).
Lei 2 – Tenha cuidado com os amigos. Use os inimigos (Exceção à lei: para fazer um trabalho sujo use os amigos porque estes confiam em si, mas tenha em atenção para não serem amigos "próximos" porque pode incorrer no risco de os perder).
Lei 3 – Não revele os seus objetivos (Exceção à lei: revele aos outros informação errada no sentido de os afastar do caminho).
Lei 4 – Diga o menos possível (Exceção à lei: nas situações em que pretende criar uma manobra de diversão para ocultar as suas verdadeiras intenções).
Lei 5 – Guarde a sua reputação (Exceção à lei: não existe).
Lei 6 – Atraia a atenção (Exceção à lei: quando está na presença dum superior forte evitando competir com o mesmo).
Lei 7 – Obtenha o crédito pelo trabalho dos outros (Exceção à lei: se ainda não tem uma grande reputação ou trata-se de um superior forte).
Lei 8 – Lance o isco para virem até si (Exceção à lei: no caso de um inimigo fraco, pode reagir imediatamente e resolver a situação).
Lei 9 – Não discuta. Demonstre (Exceção à lei: quando é apanhado numa mentira e quer criar uma manobra de diversão).
Lei 10 – A miséria é contagiosa. Evite-a como uma praga (Exceção à lei: não existe).
Lei 11 – Faça com que precisem de si (Exceção à lei: não existe, a menos que seja um J. P. Morgan ou John D. Rockefeller).
Lei 12 – Desarme os outros sendo simpático (Exceção à lei: no caso de já ser conhecido como um artista da deceção, esta lei não surte efeito. É preferível continuar com as suas artimanhas pois é o que esperam de sim).
Lei 13 – Mostre aos outros como podem beneficiar (Exceção à lei: quando encontra pessoas que se sentem superiores em ajudar os outros).
Lei 14 – Pareça um amigo. Aja como um espião (Exceção à lei: também poderá ser espiado. Neste caso, dê informações falsas aos seus espiões para os despistar).
Lei 15 – Aniquile o seu inimigo (Exceção à lei: quando o inimigo é demasiado fraco e cai por ele próprio. Assim escusa de ser visto como impiedoso).
Lei 16 – Cultive a ausência para ganhar influência (Exceção à lei: quando ainda não é reconhecido dentro de um grupo).
Lei 17 – Seja imprevisível (Exceção à lei: ser imprevisível com um superior forte pode o deixar desconfortável).
Lei 18 – Não se isole (Exceção à lei: quando precisa de tempo para pensar. Neste caso o isolamento deverá ser temporário).
Lei 19 – Conheça as suas vítimas (Exceção à lei: não existe).
Lei 20 – Não tire partidos (Exceção à lei: em algum ponto da sua vida terá de comprometer-se com alguém, mas não se deixe envolver emocionalmente).
Lei 21 – Faça os outros sentirem-se inteligentes (Exceção à lei: quando quer sobressair em relação aos seus concorrentes, mas não abuse ao tornar-se uma ameaça).
Lei 22 – Renda-se para ganhar (Exceção à lei: quando está perto de ganhar, não pare e continue até ao fim).
Lei 23 – Concentre os seus esforços (Exceção à lei: quando é mais fraco que o seu oponente, precisa de proteção ou de diversificar o seu risco).
Lei 24 – Siga as regras do jogo (Exceção à lei: não existe).
Lei 25 – Reinvente-se (Exceção à lei: não existe).
Lei 26 – Não suje as mãos (Exceção à lei: quando precisa de mostrar um erro para gerar simpatia, ou pretende intimidar os seus subordinados).
Lei 27 – Crie um culto de seguidores (Exceção à lei: quando existe a possibilidade das suas artimanhas serem descobertas).
Lei 28 – Seja audaz (Exceção à lei: não abusar desta leis para não ofender demasiadas pessoas).
Lei 29 – Planeie até ao fim (Exceção à lei: não existe).
Lei 30 – Pareça com seja fácil e não se gabe (Exceção à lei: ocasionalmente deverá revelar as suas técnicas, para não parecer paranoico).
Lei 31 – Controle as opções dos outros (Exceção à lei: por vezes pode ser mais vantajoso deixar os outros à vontade para conhecer as suas táticas).
Lei 32 – Cultive a fantasia nos outros (Exceção à lei: quando existe a possibilidade de ser desmascarado, pelo que é importante manter as promessas vagas e ambíguas).
Lei 33 – Utilize a fraqueza dos outros (Exceção à lei: quando sentir que está a ir longe demais, virando os outros contra si).
Lei 34 – Aja como a realeza (Exceção à lei: nunca faça isto à conta da humilhação dos outros, fazendo com que se virem contra si, ou sobrepondo-se demais constituindo neste caso um alvo a abater),
Lei 35 – Saiba qual o tempo certo (Exceção à lei: não existe).
Lei 36 – Ignore os pequenos problemas (Exceção à lei: quando existe a possibilidade de ferir a suscetibilidade de alguém, podendo virar-se contra si).
Lei 37 – Crie um espetáculo atraente (Exceção à lei: não existe).
Lei 38 – Misture-se com o rebanho (Exceção à lei: quando já tem poder pode isolar-se mais, mas não abuse do isolamento para dar-lhe um traço comum).
Lei 39 – Agite os seus inimigos (Exceção à lei: no caso de criar um monstro que não consiga controlar).
Lei 40 – Utilize o dinheiro a seu favor (Exceção à lei: em certas circunstâncias pode ser mais eficaz usar a técnica do “almoço grátis” para ter a atenção dos outros).
Lei 41 – Siga o seu próprio caminho (Exceção à lei: por vezes é benéfico emular o que se fez de bem no passado, mas tenha em atenção para não ficar agarrado ao mesmo).
Lei 42 – Elimine o desordeiro (Exceção à lei: por vezes pode ser mais útil manter um oponente por perto, enquanto remove as suas bases de suporte, especialmente se existe possibilidade de vingança).
Lei 43 – Conquiste corações e mentes jogando com as emoções e fraquezas dos outros (Exceção à lei: não existe).
Lei 44 – Espelhe as emoções dos outros (Exceção à lei: quando as pessoas esperam que se comporte de um certo modo. Não abuse desta lei ou as pessoas poderão sentir-se usadas).
Lei 45 – Introduza a mudança aos poucos (Exceção à lei: durante tempos de estagnação as pessoas estão sedentas de mudança, mas esteja atento ao humor do público desacelerando as reformas a qualquer momento).
Lei 46 – Não provoque a inveja (Exceção à lei: quando está no poder e não pode fazer nada contra a inveja. Neste caso mostre desdenho pelos que o invejam. Os seus oponentes irão contorcer-se).
Lei 47 – Saiba quando parar (Exceção à lei: assegure-se que não para às portas da vitória para esmagar o seu oponente, mas neste caso não exagere criando novos inimigos).
Lei 48 – Seja elusivo (Exceção à lei: existem alguns momentos em que é preciso concentrar toda a sua força e atacar).

Para uma informação mais completa do trabalho de Robert Greene, consulte o novo blogue 48-leis-do-poder-blogs.sapo.pt, com o resumo alargado do livro.

 

Pensamento Critico: Definição e Utilização

Chimpazé a pensar

Esta semana tenho uma apresentação em público na Toastmasters e resolvi a abordar o tema do pensamento crítico.

Antes de avançar com a definição propriamente dita, quero fazer a seguinte experiência retirada do site Zety. Para isso vamos imaginar que quero descobrir se o café faz bem.

Vou ao google e pesquiso por “razões para beber café

Resultados: taxas mais baixas de depressão, estímulo da memória, longevidade e um coração mais saudável.

Depois vou google outra vez e pesquiso “razões para não beber café?”.

Resultados: redução da ansiedade, dentes mais brancos, perda de peso e um coração mais saudável.

Ou seja, encontro razões tanto para beber como para não beber café. O mais interessante é que todas estas razões são suportadas por diversos estudos científicos, e que se contradizem.

No meio disto tudo, como é que poderei reconciliar estas afirmações contraditórias?

É simples, recorrendo ao pensamento crítico.

O que é o pensamento crítico?

De acordo com Zety o pensamento critico é a capacidade de pensar de maneira organizada e racional, a fim de entender conexões entre ideias ou fatos, ajudando a decidir no que acreditar. Por outras palavras, é "pensar sobre o pensar" - identificar, analisar e corrigir as falhas na maneira como pensamos.

The Balance refere que os bons pensadores críticos tiram conclusões razoáveis de um conjunto de informações e discriminam entre informações úteis e menos úteis para resolver problemas ou tomar decisões.

Conceito.de destaca que o pensamento crítico não implica pensar de forma negativa nem com predisposição para encontrar defeitos e falhas. Muito menos consiste em tentar mudar a forma de pensar das pessoas ou substituir os sentimentos e as emoções.

Exemplos

As circunstâncias que exigem pensamento crítico variam de caso para caso, como por exemplo:

  • Um médico que faz a triagem no serviço de urgências e decide a ordem pela qual os pacientes devem ser atendidos.
  • Um advogado analisa as evidências e elabora uma estratégia para vencer um caso.
  • Um gerente analisa os formulários de feedback dos clientes e usa essa informação para desenvolver uma sessão de formação de atendimento ao cliente.

Características

Capacidade de análise

Parte do pensamento crítico é a capacidade de examinar cuidadosamente algo, como um problema, um conjunto de dados ou um texto. Pessoas com capacidades analíticas podem examinar as informações, entender o que elas significam e explicar adequadamente as implicações dessas informações a outras pessoas.

Capacidade de comunicação

Muitas vezes precisamos de partilhar ideias com outras pessoas, ou de promover o pensamento crítico num grupo com determinado objetivo. Neste caso, é necessária uma comunicação eficaz para ajudar a apurar os factos, tudo num ambiente positivo e de melhoria contínua.

Criatividade

O pensamento crítico pode envolver criatividade e inovação. Por exemplo, pode ser necessário detetar padrões nas informações que está a analisar ou encontrar uma solução para determinado problema. Isto requer um olhar diferente sobre a informação.

Mente aberta

Para se pensar criticamente, é necessário deixar de lado quaisquer suposições ou julgamentos quando da análise da informação. É essencial ser objetivo, avaliar ideias e manter a imparcialidade.

Capacidade de resolução de problemas

A solução de problemas é uma das competências básicas de pensamento crítico que envolve analisar um problema, estudar e implementar soluções, e avaliar o sucesso das mesmas. Aqui as soluções devem ser práticas e adaptadas ao problema em questão.

Espero que este artigo tenha sido útil. Na próxima vez que tiver de tomar uma decisão importante, não aceite facilmente toda a informação como válida. Questione, mesmo que provenha de fontes que habitualmente considera credíveis.

O Estoicismo de Marco Aurélio: Definição e Prática

Marco Aurélio

Há uns anos atrás, quando estudava no secundário, umas das disciplinas que menosprezava era a filosofia. Tive inclusive de ter explicações para conseguir passar com nota positiva. Não entendia no que a filosofia poderia ser útil, e achava uma autêntica perda de tempo.

Recentemente tive contacto com o estoicismo, uma filosofia que ficou em grande medida conhecida pelos diários de Marco Aurélio (r. 121–180) da antiga Grécia Romana, e que contribuiu para melhorar a minha opinião acerca da utilidade desta sabedoria antiga.

O que mais me fascina no estoicismo é a sua componente prática, ajudando os seus praticantes a ultrapassar emoções negativas e a encontrar soluções para os problemas do dia-a-dia. Pode-se afirmar que esta filosofia é construída através da ação evitando-se debates de opinião que não chegam a lado nenhum.

O estoicismo pretende recordar aos seus proponentes como o mundo é imprevisível cheio de incertezas e de como a vida é curta. Pretende também tornar-nos mais estáveis, fortes e no controlo de nós próprios. Esta filosofia diz que a principal fonte da nossa insatisfação reside na dependência impulsiva dos nossos sentidos em vez da lógica.

Destaco de seguida três práticas que os estoicos utilizam.

Lembrar que tudo é efémero

Na filosofia estoica devemos nos recordar de como somos pequenos, de que o mundo é apenas um infinitésimo de um universo desconhecido, e de como estamos aqui numa breve passagem. O que interessa enquanto estamos por cá é ser a melhor pessoa possível e fazer o que achamos correto.

Não sofrer sobre o que não se controla

Um dos aspetos mais importantes desta filosofia é distinguir o que podemos mudar do que não podemos mudar. Exercer qualquer tipo de influência sobre o que não controlamos, será meramente uma perda de tempo, e terá um efeito de frustração e instabilidade emocional.

Escrever um diário

Escrever regularmente sobre nós próprios, as outras pessoas e como vemos o mundo é uma prática do estoicismo. Inclui-se aqui a reflecção sobre o dia que passou, preparar o dia que se segue, meditar nas lições apreendidas, e outras pontos sobre o que se queira escrever. Marco Aurélio era um praticante desta filosofia, e hoje podemos ler o diário com a publicação das suas meditações.

Fonte

What Is Stoicism? A Definition & 9 Stoic Exercises To Get You Started

Como Deixar de se Preocupar e Começar a Viver de Dale Carnegie, Resumo do Livro - As Minhas Notas

Como Deixar de se Preocupar e Comecar a Viver

Dale Carnegie ficou mundialmente famoso quando publicou o bestseller "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas". Em Como Deixar de se Preocupar e Começar a Viver, o autor volta a escrever sobre um problema que afeta grande parte das pessoas, que é o excesso de preocupação.

Este livro foi desenvolvido ao longo de seis de anos de pesquisa, descrevendo técnicas práticas para conhecer e aprender a lidar com a preocupação que incluem a redução dos pensamentos negativos, resolução de problemas, lidar com as críticas e aprender a cultivar uma atitude positiva.

O livro foi publicado originalmente em 1944, continuando sempre disponível nas livrarias e com muitos exemplares vendidos, demonstrando a intemporalidade da mensagem.

De seguida faço um breve resumo do livro com as minhas notas e descrevendo os principais tópicos.

Parte I - Entender o que é a preocupação

  1. Tentar viver um dia de cada vez, compartimentando cada momento.
  2. Quanto tiver um problema sério seguir os seguintes passos: Em primeiro lugar pergunte a si próprio: "O que de pior pode acontecer se não conseguir resolver o meu problema?" Em segundo lugar mentalize-se para aceitar o pior se necessário e em terceiro lugar tente tranquilamente melhorar a pior situação possível para o qual já se mentalizou.
  3. Existe um preço alto a pagar pela preocupação, que é a sua saúde.

Parte II - Como analisar uma preocupação

  1. Reunir os factos.
  2. Tomar uma decisão.
  3. Colocar em prática a decisão agindo.
  4. Resolver problemas através das seguintes questões: Qual é o problema? Qual é a causa do problema? Quais são as soluções possíveis? Qual é a melhor solução?

Parte III - Como acabar com o hábito da preocupação

  1. Manter-se ocupado.
  2. Não fazer uma tempestade num copo de água por causa de coisas pequenas e sem significado.
  3. Perguntar a si próprio: Quais são as probabilidades do pior acontecer?
  4. Aceitar o inevitável sobre o que não pode mudar.
  5. Depois do pior acontecer esqueça e continue com a sua vida.

Parte IV - Sete formas de cultivar uma atitude positiva

  1. Encher a mente de pensamentos de paz, coragem, saúde e esperança.
  2. Não pensar nem dar importância aos nossos inimigos ou a pessoas de que não gostamos.
  3. Não esperar a gratidão dos outros.
  4. Apreciar as nossas bênçãos.
  5. Não imitar os outros porque somos únicos.
  6. Fazer limonada com o limões que nos dão.
  7. Trazer felicidade aos outros.

Parte V - Como evitar a preocupação com as critícas

  1. As críticas injustas são muitas vezes uma forma disfarçada de elogio.
  2. Dê o seu melhor e depois ignore as críticas.
  3. Devemos ser críticos de nós mesmos em primeiro lugar, e depois solicitar aos outros critícas imparciais e construtivas.

Parte VI - Seis maneiras de evitar a fadiga e ter mais energia

  1. Descanse antes de estar cansado.
  2. Aprenda a relaxar no trabalho.
  3. Aprenda a relaxar em casa.
  4. Colocar em prática os seguintes hábitos: manter a secretária arrumada, fazer as tarefas por ordem de importância, resolver os problemas imediatamente sempre que possível, aprender a organizar, delegar e supervisionar.
  5. Crie entusiasmo no seu trabalho.
  6. Se tiver problemas em dormir lembre-se que a preocupação com a insónia é que é prejudicial, e não a insónia propriamente dita.

A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da de Mark Manson, Resumo do Livro - As Minhas Notas

A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da de Mark Manson

As pessoas cada vez mais desfrutam das suas riquezas materiais e dos seus confortos, e no entanto sentem-se mais pobres emocionalmente e psicologicamente. Em "A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da", Mark Manson descreve as suas ideias e perceções para nos ajudar a lidar com o sofrimento e fracasso, para que consigamos viver uma vida mais completa e encontrar a verdadeira felicidade.

As ideias de Manson são proferidas num estilo único, e em alguns momentos através de linguagem irreverente para passar a sua mensagem.

O livro em três frases

  • A vida é inevitavelmente preenchida por sofrimento e uma necessidade contínua de resolução de problemas, por isso devemos escolher aqueles que gostamos de resolver.
  • Os problemas que escolhemos devem estar alinhados com os nossos valores, sabendo distinguir os bons dos maus valores.
  • A cultura de excecionalidade generalizada transmitida pelos meios de comunicação social e redes sociais é uma ilusão, não havendo atalhos e sendo necessário trabalhar e aperfeiçoar continuamente até se atingir o sucesso.

Resumo do livro "A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da"

  • Tudo o que vale a pena na vida é conquistado pela superação da experiência negativa associada. Qualquer tentativa de escapar ao negativo, de o evitar, rejeitar ou silenciar, tem um efeito de ricochete. A negação do sofrimento é uma forma de sofrimento. A negação da luta é uma luta. A negação do fracasso é um fracasso. Esconder o que é vergonhoso é , em si mesmo, uma forma de vergonha.
  • A questão não é fugir do desagradável. A questão é descobrir o desagradável com que gostamos de lidar.
  • Grande parte das pessoas considera certos "problemas da vida" por não terem mais nada com que se preocuparem. Daí que encontrarem algo mais importante e significativo seja provavelmente a forma mais produtiva de usarem o seu tempo e energia. Porque, se não encontrarem algo significativo, dedicarão a sua preocupação a coisas frívolas e mesquinhas.
  • A maturidade é o que acontece quando uma pessoa aprende a só se preocupar com o que merece a pena.
  • Sofremos pela simples razão de que sofrer é biologicamente útil. É o agente preferido pela natureza para inspirar mudança. Estamos programados para nos tornarmos insatisfeitos com o que quer que tenhamos e satisfeitos para aquilo que não temos.
  • Tal como dar uma pancada com o dedo numa mesa nos ensina a esbarrar menos em mesas, a dor emocional da rejeição e do fracasso ensina-nos a evitar os mesmos erros no futuro.
  • A solução para um problema é apenas a criação do próximo. A felicidade resulta de resolver problemas e apenas ocorre quando descobrimos problemas que gostamos de ter e resolver.
  • O sonho é uma montanha, e é longa a caminhada para lá chegar. Quem nós somos é definido por aquilo que desejamos lutar.
  • Quanto mais profunda é a dor, mais impotentes nos sentimos perante os nosso problemas e mais adotamos a atitude de "tenho o direito" para compensar esses problemas.
  • O facto de compreendermos que nós e os nossos problemas não somos privilegiados em termos de severidade ou dor, é o primeiro e mais importante passo para os resolvermos.
  • A vaga de informação extrema em que vivemos condicionou-nos para acreditar que a excecionalidade é o novo normal, e leva-nos a sentir inseguros e desesperados porque claramente, não somos bastante bons. O facto é que somos todos bastante médios a maior maior do tempo, porque se fôssemos todos extraordinários, por definição, ninguém seria extraordinário.
  • As raras pessoas que se tornam verdadeiramente excecionais em alguma coisa não o fazem por acreditar que são excecionais. Pelo contrário, tornam-se fantásticas porque estão obcecadas pelo aperfeiçoamento, derivada de uma crença de que na verdade, não são assim tão fantásticas. Estas pessoas tornam-se grandes porque compreendem que ainda não são grandes - são medíocres, são médias - e podem ser muito melhores.
  • Os humanos escolhem muitas vezes dedicar grandes porções da sua vida a causas aparentemente inúteis ou destrutivas.
  • O auto conhecimento é como uma cebola. A primeira camada é o simples reconhecimento das nossas emoções. A segunda camada é a capacidade para perguntar por que razão sentimos determinadas emoções. A terceira e última camada são os nossos valores pessoais: Porque considero isto um fracasso/sucesso? Como estou a escolher medir-me? Por que padrão estou a julgar-me e a todos os que me rodeiam?
  • Os nossos valores determinam os critérios pelos quais nos avaliamos e todos os outros. Se quisermos mudar a forma como vemos os nosso problemas, temos de mudar aquilo que valorizamos e/ou a forma como medimos o sucesso e o fracasso.
  • Os bons valores são baseados na realidade, socialmente construtivos e controláveis. Os maus valores são supersticiosos, socialmente destrutivos e não controláveis.
  • Se está infeliz na sua situação atual é porque, provavelmente sente que em parte ela está fora do seu controlo, que há um problema que não tem capacidade para resolver, um problema que, de alguma forma, lhe foi imposto sem que o tenha escolhido.
  • Ninguém é responsável pela nossa situação, a não ser nós. Muitas pessoas podem ter culpa da nossa infelicidade, mas a única pessoa responsável somos nós.
  • As pessoas más nunca acreditam que elas são más; pelo contrário, acreditam que os outro todos é que são maus.
  • Manson conta a história do seu professor da escola primária, que dizia que se estivesse bloqueado com um problema, para não ficar a pensar nele; simplesmente deveria começar a trabalhar nele, porque mesmo que não saiba o que está a fazer, o simples ato de trabalhar no problema fará com que as ideias certas acabem por surgir.
  • Se faltar motivação para fazer uma mudança importante, deve-se fazer qualquer coisa, e usar a reação a essa ação como forma de começar a motivar.
  • Compreendemos que a maioria dos excessos na vida, não nos fazem felizes, ao afogarmo-nos neles.
  • Viajar é uma excelente ferramenta de desenvolvimento, porque nos arranca dos valores da nossa cultura e nos mostra que outras sociedades podem viver com valores completamente diferentes e, ainda assim, funcionar e não se odiar a si mesmos.
  • Quando estamos sobrecarregados de oportunidades e opções, sofremos daquilo a que os psicólogos chamam o paradoxo da escolha. Basicamente, quanto mais opções tempos disponíveis, menos satisfeitos ficamos com o que quer que escolhamos, porque temos consciência de todas as outras opções de que estamos, potencialmente, a privar-nos.
  • Paradoxalmente, o compromisso dá-nos liberdade, porque já não nos distraímos com o que não é importante e é frívolo. A rejeição de alternativas liberta-nos - rejeição do que não está alinhado com os nossos valores mais importantes, com os padrões que escolhemos, a rejeição da procura constante da vastidão sem profundidade.

Referências

Book Summary – The Subtle Art of Not Giving a F*ck: A Counterintuitive Approach to Living a Good Life

The Subtle Art of Not Giving a F*ck by Mark Manson

As 48 Leis do Poder de Robert Greene, Resumo do Livro - As minhas notas, Parte 5 de 5

As 48 leis do poder, Greene

ATUALIZADO a 09/03/2020: Para uma informação mais completa do trabalho de Robert Greene, consulte o novo blogue 48-leis-do-poder-blogs.sapo.pt, com o resumo alargado do livro.

Esta é a parte 5 das minhas notas do livro As 48 Leis do Poder de Robert Greene, onde irei transcrever os pontos que considero mais relevantes das leis 31 a 40. De referir que em grande parte das leis pode aplicar-se o inverso, e dependendo do contexto.

Este livro contém algumas instruções pouco convencionais, e pode ser suscetível aos mais sensíveis. No entanto revela a verdade nua e crua de como se move o mundo do poder e dos que ambicionam lá chegar.

As 48 Leis do Poder - Parte 1 - Leis 1 a 10
As 48 Leis do Poder - Parte 2 - Leis 11 a 20
As 48 Leis do Poder - Parte 3 - Leis 21 a 30
As 48 Leis do Poder - Parte 4 - Leis 31 a 40
As 48 Leis do Poder - Parte 5 - Leis 41 a 48

Lei #41 – Evite seguir os passos de um grande homem

O que acontece em primeiro lugar parece sempre melhor do que o que vem a seguir. Se substituir em grande homem ou tiver um pai famoso é necessário fazer o dobro do que eles fizeram para brilhar mais. Não se deve ficar perdido na sai sombra ou preso a um passado que não foi obra sua: estabeleça o seu próprio nome e identidade mudando de curso. “Destrua” a ideia do pai dominador, menospreze o seu legado e conquiste o poder com a sua própria luz.

O inverso: Pode ser vantajoso usar a sombra de um grande predecessor se esta for escolhida como um truque, uma tática de que se possa descartar depois de conquistado o poder. Exagerar na ostentação de um estilo diferente dos seus antecessores pode fazê-lo parecer infantil e descontrolado, a não ser que as suas atitudes tenham uma lógica própria. Finalmente, é bom estar atento aos jovens, os seus futuros rivais no poder. Assim como se tenta livrar do seu pai, os jovens em breve estarão a aplicar o mesmo truque consigo, denegrindo tudo o que conquistou. Enquanto sobe de status, rebelando-se contra o passado, não perca de vista os que estão atrás, e não lhes dê oportunidade de fazer o mesmo consigo.

Lei #42 – Ataque o pastor e as ovelhas dispersar-se-ão

A origem dos problemas, em geral, pode estar num único indivíduo forte – o agitador, o subalterno arrogante o envenenador da boa vontade. Se der espaço para estas pessoas agirem, outros sucumbirão à sua influência. Não espere para os problemas que eles causam se multiplicarem, não tente negociar com eles – eles são irremediáveis. Neutralize a sua influência isolando-os ou banindo-os. Ataque a origem dos problemas e as ovelhas dispersar-se-ão.

O inverso: Se agir e isolar o inimigo, garanta que ele não tenha como lhe pagar na mesma moeda. Se aplicar esta lei que seja de uma posição superior, para não ter nada a temer com o ressentimento do inimigo. Verá frequentemente que é melhor manter as pessoas ao seu lado, onde poderá observá-las, do que arriscar.se a criar um inimigo irado. Mantendo-as por perto, pode secretamente reduzir a sua base de sustentação de tal forma que na altura de as soltar, estas caiam no chão sem saber porquê.

Lei #43 – Conquiste o coração e as mentes dos outros

A coerção provoca reações que acabam por funcionar contra nós mesmos. É necessário atrair as pessoas para que elas queiram vir até si. A pessoa seduzida torna-se um fiel peão. Seduzem-se os outros atuando individualmente nas suas psicologias e pontos fracos. Amacie o resistente atuando nas suas emoções, ou jogar com aquilo que ele gosta muito ou teme. Ignore os corações e mentes dos outros e acabarão por odiá-lo.

O inverso: Não há inverso possível para esta lei.

Lei #44 – Desarme e enfureça com o efeito espelho

O espelho reflete a realidade mas é também a ferramenta perfeita para a ilusão. Quando espelhamos os nossos inimigos, agindo exatamente como eles agem, eles não entendem a sua estratégia. O efeito espelho ridiculariza-os e humilha-os, fazendo com que reajam exageradamente. Colocando um espelho em diante das suas psiques, seduzimo-los com a ilusão de que compartilhamos os seus valores; ao espelhar as suas ações, é-lhes prestada uma lição. Raros são os que resistem ao poder do efeito espelho.

O inverso: Com frequência sofre-se com a comparação, parecendo mais fraco do que o ocupante anterior da sua posição ou então estigmatizado por associações desagradáveis que outra pessoa deixou. Mesmo que a pessoa ou evento tenha associações positivas, sofrerá pela incapacidade de estar à sua altura, visto que o passado, em geral, parece maior do que o presente. Se notar que as pessoas o associam a algum evento ou pessoa do passado, faça tudo o que puder para se separar dessa lembrança e estilhaçar esse reflexo.

Lei #45 – Pregue a necessidade de mudança, mas não mude muita coisa ao mesmo tempo

Teoricamente, todos sabem que é preciso mudar, mas na prática as pessoas são criaturas de hábitos. Muita inovação é traumático e conduz à rebeldia. Se é novo numa posição de poder ou alguém de fora tem o intuito de destruir a sua base de poder, mostre explicitamente que respeita a maneira antiga de fazer as coisas. Se a mudança é necessária faça-a parecer uma suave melhoria do passado.

O inverso: O passado é um defunto para ser usado como achar melhor. Se o que aconteceu no passado recente foi doloroso e sombrio, é autodestrutivo associar-se a ele. Preste atenção à época. Se operar uma mudança ousada, deve evitar a todo o custo a aparência de vácuo, ou criará o terror. Mesmo uma feia história recente parecerá preferível ao espaço vazio. Preencha esse espaço, imediatamente, com novos rituais e formas. Tranquilizando e tornando-se familiar, irão garantir a sua nova posição entre as massas. Finalmente, as artes, a moda e a tecnologia parecem áreas em que o poder se originaria de uma rutura radical com o passado e a aparente nova era. Ma verdade, esta estratégia pode trazer um grande poder, mas é muito arriscada. É inevitável que as inovações acabe por serem ultrapassadas por outros. Precisa de um poder baseado em algo mais sólido. Usando o passado, remontando às tradições, jogando com as convenções para subverte-las dará às suas criações algo mais do que um encanto momentâneo.

Lei #46 – Não pareça perfeito de mais

Parecer melhor do que os outros é sempre perigoso, mas o que é muito perigoso é parecer não ter falhas ou fraquezas. A inveja cria inimigos silenciosos. É sinal de astúcia exibir ocasionalmente alguns defeitos e admitir vícios inofensivos para desviar a inveja e parecer mais humano e acessível. Só os deuses e os mortos podem parecer perfeitos impunemente.

O inverso: O motivo para se ficar atento com os invejosos é que eles são muito dissimulados, e encontrarão inúmeras formas de destruí-lo aos poucos. Mas ficar alerta, cheio de cuidados, em geral só aumenta a inveja que eles sentem. Percebem que está a ser cauteloso, e isso lhes parece ser mais um sinal da sua superioridade. Por isso, é preciso agir antes que a inveja fixe as suas raízes. Quando já existir a inveja, por sua culpa ou não, às vezes é melhor utilizar uma abordagem inversa: mostre um desprezo total por aqueles que o invejam. Em vez de ocultar a sua perfeição, torne-a óbvia. Faça de cada triunfo uma oportunidade para deixar os invejosos a contorcer-se. Se você alcançar uma posição de poder incontestável, a inveja deles não terá nenhum efeito sobre você, e a sua melhor vingança: eles ficam presos à inveja, enquanto fica livre com o seu poder.

Lei #47 – Não ultrapasse a meta estabelecida; na vitória, aprenda a parar

O momento da vitória é quase sempre o mais perigoso. No calor da vitória,a  arrogância e o excesso de confiança podem fazê-lo avançar além da sua meta e ao ir longe demais, conquista mais inimigos do que os que derrota. Não deixe o sucesso subir-lhe à cabeça. Nada substitui a estratégia e o planeamento cuidadoso. Fixe a meta e ao alcança-la, pare.

O inverso: Infligir meios castigos ou leves injúrias só criará um inimigo cuja amargura crescerá com o tempo, e que acabará por se vingar. Ao derrotar o inimigo, portanto, faça com que essa vitória seja total. Seja implacável com o inimigo, mas não crie outros indo além do necessário. Deixe o ímpeto para quem não pode confiar em algo melhor.

Lei #48 – Evite ter uma forma definida

Ao assumir uma forma, ao ter um plano visível, expõe-se ao ataque. Em vez de assumir uma forma que o seu inimigo possa agarrar, mantenha-se maleável e em movimento. Aceite o fato de que nada é certo e nenhuma lei é fixa. A melhor forma de se proteger é ser tão fluído e amorfo como a água; não aposte na estabilidade ou na ordem permanente. Tudo muda.

O inverso: Usar o espaço para dispersar o seu poder e criar um padrão abstrato não significa que desista de o concentrar quando tal lhe for útil. A informidade faz com que os seus inimigos corram atrás de si, espalhando para todos os lados as suas próprias forças, mentais e físicas. Ao assumir uma forma e atacar, use a concentração, a velocidade e o poder,

 

As 48 Leis do Poder de Robert Greene, Resumo do Livro - As minhas notas, Parte 4 de 5

Livro as Leis do Poder Greene

ATUALIZADO a 09/03/2020: Para uma informação mais completa do trabalho de Robert Greene, consulte o novo blogue 48-leis-do-poder-blogs.sapo.pt, com o resumo alargado do livro.

Esta é a parte 4 das minhas notas do livro As 48 Leis do Poder de Robert Greene, onde irei transcrever os pontos que considero mais relevantes das leis 31 a 40. De referir que em grande parte das leis pode aplicar-se o inverso, e dependendo do contexto.

Este livro contém algumas instruções pouco convencionais, e pode ser suscetível aos mais sensíveis. No entanto revela a verdade nua e crua de como se move o mundo do poder e dos que ambicionam lá chegar.

As 48 Leis do Poder - Parte 1 - Leis 1 a 10
As 48 Leis do Poder - Parte 2 - Leis 11 a 20
As 48 Leis do Poder - Parte 3 - Leis 21 a 30
As 48 Leis do Poder - Parte 4 - Leis 31 a 40
As 48 Leis do Poder - Parte 5 - Leis 41 a 48

#31 – Controle as opções: quem dá as cartas é você

As melhores trapaças são as que parecem dar ao outro interveniente uma opção: as suas vítimas pensam que detêm o controlo da situação mas na verdade, são marionetas. Dê às pessoas opções que resultem sempre como favoráveis para si. Force-as a escolher entre o menor de dois males, ambos servem o sei objetivo. Coloque-as num dilema: não terão escapatória.

O inverso: o controlo das opções têm um só propósito: despistá-lo como agente do poder e punição. A tática funcional melhor, portanto, com aqueles cujo poder é frágil, que são incapazes de agir abertamente sem despertar suspeitas, ressentimento e raiva, Até como regra geral, raramente, é sensato ser visto a exercer o poder de forma direta e prepotente, não importa o quanto seja seguro ou importante. Por outro lado, ao limitar as opções dos outros, por vezes, limitamos as nossas. Um banqueiro do século XIX, James Rothschild, gostava deste método: sabia que se tentasse controlar os movimentos dos adversários perderia a oportunidades de observar as suas estratégias e planear uma ação mais eficaz.

#32 – Desperte a fantasia das pessoas

Em geral evita-se a verdade porque ela é feia e desagradável. Não apele para o que é verdadeiro ou real se não estiver preparado para enfrentar a raiva que vem com o desencanto. A vida é tão dura e angustiante que as pessoas capazes de criar romances ou invocar fantasias são como oásis no meio do deserto: todos correm até lá. Há um enorme poder em despertar a fantasia das pessoas.

O inverso: se há poder em despertar as fantasias das massas, também existem riscos. A fantasia, em geral, tem uma componente de jogo – o público percebe mais ou menos que está a ser enganado, mesmo assim alimenta o sonho, diverte-se e aprecia o afastamento temporário da rotina que lhe proporciona. Portanto, não exagere – não se aproxime demais do ponto onde se espera que se produza resultados. Esse lugar pode ser extremamente arriscado. Não cometa, jamais, o erro de pensar que a fantasia é sempre fantástica. Sem dúvida, contrasta com a realidade, mas a própria realidade é as vezes tão teatral e estilizada que a fantasia torna-se um desejo por coisas simples. A imagem que Abraham Lincoln criou para i mesmo, por exemplo como um simples advogado provinciano barbudo, fez dele o presidente do povo. Se jogar com esta fantasia, deve também ter o cuidado de cultivar o distanciamento e não deixar que a sua personagem “plebeia” se torne familiar demais, ou não se projetará como fantasia.

#33 – Descubra o ponto fraco de cada um

Todos nós tempos um ponto fraco, uma fenda no muro do castelo. Esta fraqueza, regra geral, é uma insegurança, uma emoção ou necessidade incontrolável; pode também ser um pequeno prazer secreto. Seja como for, uma vez encontrado esse ponto nevrálgico, é aí que se deve apertar.

O inverso: tirar proveito da fraqueza alheira tem um grande risco: pode desencadear uma ação que não conseguirá controlar. Quanto mais emocional for a fraqueza, maior o potencial de risco. Conheça os limites deste jogo, portanto, e não se deixe entusiasmar pelo controlo que tem sobre as suas vítimas. Quer o poder, e não a emoção do controlo.

#34 – Seja aristocrático na sua própria forma; aja como um rei para ser tratado como tal

A forma como cada um se comporta, em geral, determina a forma como somos tratados: a longo prazo, aparentando ser vulgar ou comum, fará com que as pessoas nos desrespeitem. Um rei respeita-se a si próprio e inspira nos outros o mesmo sentimento. Agindo com realeza e confiança nos seus poderes, revela-se como estando destinado a usar uma coroa.

O inverso: a ideia por detrás da aparência de segurança aristocrática é distinguir-se dos outros, mas o exagero será a sua ruína. Não cometa o erro de pensar que se vai distinguir por humilhar os outros. Também não é uma boa ideia ficar muito acima da multidão – torna-se um alvo fácil. E há momentos em que uma pose aristocrática é, eminentemente, perigosa. Compreenda: irradie autoconfiança, não arrogância ou desdém. Finalmente, é verdade que Às vezes adquirimos um certo poder afetando uma espécie de vulgaridade grosseira, cujo exagero acaba por ser divertido. Mas À medida que sai vitorioso, porque ultrapassa os limites, distinguindo-se dos outros por parecer ainda mais vulgar do que eles, este jogo torna-se perigoso: haverá sempre alguém mais vulgar, e facilmente, irá ser substituído por alguém mais jovem e pior.

#35 – Domine a arte de saber qual o tempo certo

Nunca demonstre estar com pressa – a pressa trai a falta de controlo de si mesmo e do tempo. Mostre-se sempre paciente, como se soubesse que tudo irá ter até si. Torne-se um detetive do momento certo; fareje o espírito dos tempos, as tendências que o levarão ao poder. Aprenda a esperar quando ainda não é a altura indicada e ataca ferozmente quando o momento for propício.

O inverso: não se obtém poder ao afrouxar as rédeas e adaptando-se ao que vier com o tempo. Até certo ponto, deve guiar o tempo, ou será impiedosamente a sai vítima. Por conseguinte, não há inverso para esta lei.

#36 – Despreze o que não puder ter: ignorar é a melhor vingança

Ao reconhecer um problema banal, dá-se-lhe existência e credibilidade. Quanto mais atenção der a um inimigo, mais forte você o torna: e um pequeno erro às vezes torna-se pior e mais visível se o tentarmos emendar. Às vezes, é melhor deixar as coisas como estão. Se existe algo que queremos, mas que não podemos ter, devemos mostrar desprezo. Quanto menos interesse se revelar, mais superior vamos parecer.

O inverso: enquanto mostra publicamente o seu desprezo também ter atenção ao problema, regulando o seu estado e garantindo que desapareça. Desenvolva a habilidade de perceber os problemas pequenos e cuide deles antes que se tornem intratáveis. Aprenda a distinguir entre o potencialmente desastroso e o levemente irritante, o incómodo que vai desaparecer sozinho. Em qualquer dos casos, não desvie a atenção. Enquanto estiver vivo, pode ficar latente e inflamar-se de uma hora para a outra.

#37 – Crie espetáculos atraentes

Imagens surpreendentes e grandes gestos simbólicos criam uma aura de poder – todos reagem a estes eventos. Encene espetáculos para os que o cercam, repletos de elementos visuais interessantes e símbolos radiantes que realcem a sua presença. Deslumbrados com as aparências, ninguém notará o que realmente estamos a fazer.

O inverso: é impossível obter o poder quando se ignoram as imagens e os símbolos. O inverso desta lei não existe.

#38 - Pense como quiser, mas comporte-se como os outros

Se evidenciar demasiado que é contrário às tendências da época, ao ostentar as suas ideias pouco convencionais e modos não ortodoxos, os demais irão julgar que pretende chamar apenas a atenção. Encontrarão uma forma de o castigar por fazê-los sentir inferiores. É muito mais seguro juntar-se aos restantes e desenvolver um toque comum. Compartilhe a sua originalidade só com amigos tolerantes e com aqueles que certamente apreciarão a sua singularidade.

O inverso: Só vale a pena distinguir-se dos outros quando já se distinguiu – quando já alcançou uma posição inabalável de poder, e pode exibir a sua diferença como um sinal de distância entre si e os outros. A verdade é que para quem chega ao auge do poder seria bom afetar pelo menos um traço em comum, pois em algum momento o apoio popular pode ser necessário. Finalmente, há sempre um lugar para o provocador, aquele que desafia com sucesso os costumes e goza de que já está ultrapassado numa cultura.

#39 – Agite as águas para atrair os peixes

Raiva e reações emocionais são contraproducentes do ponto de vida estratégico. É necessário que se mantenha calmo e objetivo. Contudo, se conseguir irritar o inimigo sem perder a calma, adquire uma inegável vantagem. Desequilibre o inimigo: descubra uma brecha na sua vaidade para confundi-lo e ficará no comando.

O inverso: é preciso ter cuidado quando se joga com as emoções das pessoas. Estude o inimigo antes: é melhor deixar alguns peixes no fundo do lago. Escolha bem a quem vai lançar o seu isco, e não excite os tubarões. Finalmente, às vezes explodir de raiva na hora oportuna pode-lhe fazer bem, mas deve ser uma raiva produzida e controlado por si mesmo. Encenadas de propósito ou não, se as suas explosões forem muito frequentes acabam por perder o efeito.

#40 – Despreze o que vier de graça

O que é oferecido de graça é perigoso – em geral, funciona como um ardil ou tem uma obrigação oculta. Se tem valor, vale a pena pagar. Ao pagar, não adquire problemas de gratidão e culpa. Também é prudente pagar o valor integral – com a excelência não se economiza. Seja pródigo com o seu dinheiro e mantenha-o a circular pois a generosidade é um sinal e um íman para o poder.

O inverso: esta lei oferece grandes oportunidades para fraudes e artimanhas, se a aplicar ao inverso. Seduzir com a ideia de ganhar alguma coisa é a arma do trapaceiro. A lição é simples: ao enganar as pessoas, use como isco a possibilidade de dinheiro fácil. As pessoas, são, essencialmente, preguiçosas e preferem que o dinheiro lhes caia no colo a ter de trabalhar. Por uma pequena quantia, venda-lhes conselhos com ficar milionário e essa pequena quantia transformar-se-á numa fortuna depois de multiplicada por milhares de otários. Seduza as pessoas com a perspetiva do dinheiro fácil e terá espaço para continuar a praticar as suas fraudes, visto que a ganância é tão forte que as suas vítimas não se aperceberão de nada.